Cidades

Médicos da Santa Casa de Rio Grande podem paralisar atividades eletivas a partir do dia 28

Os profissionais seguem com salários atrasados desde agosto

Representantes do Simers e do Simerg  se reuniram com a  direção da Santa Casa  para cobrar as remunerações que estão em atraso
Representantes do Simers e do Simerg se reuniram com a direção da Santa Casa para cobrar as remunerações que estão em atraso Foto : Paulo Rossi / Simers /CP

Seguem as negociações entre os Sindicatos médicos do Rio Grande do Sul (Simers) e de Rio Grande (Simerg) com os gestores da Santa Casa do município. Nesta semana eles se reuniram para tratar dos pagamentos dos médicos que trabalham na casa de saúde, que estão atrasados desde julho.

Os gestores disseram que ocorreu a quitação de 20% do valor de agosto e que não há previsão de novos pagamentos. Participaram da reunião o presidente do Simerg, Sandro Oliveira, representando as entidades. Já pela instituição, o presidente da Santa Casa, Renato Silveira; o diretor técnico, Wagner Pedrotti, e o diretor médico, Evandro Augusto Oss. Representantes da assessoria jurídica do Simers também estiveram presentes.

Oliveira conta que a reunião durou mais de uma hora e não se conseguiu avançar sobre uma data para o pagamento dos salários em atraso. "Eles nos alegaram dificuldades financeiras, agravadas pela abertura de um novo hospital na cidade que teria tirado vários convênios. O hospital diz que deve receber receitas até o final de dezembro, mas não é taxativo quanto a canalização destes valores para os médicos", lamenta. Ele informou ainda que deverá se reunir com representantes do Simers e os médicos da casa de saúde para apresentar uma resposta ao hospital. "Realizaremos outra assembleia, para que os médicos definam se entram em paralisação a partir do dia 28, como foi combinado em assembleia prévia", disse. Os sindicatos permanecerão em contato com a direção da Santa Casa em busca de uma definição sobre os pagamentos, bem como em assembleia permanente com os médicos para informá-los sobre possíveis novidades. Procurada, a direção da Santa Casa

respondeu, por meio de nota confirmando a realização da reunião com os representantes do Simers e Simerg o compromisso da instituição com o diálogo "com a busca de solução para as demandas da categoria", garante. A instituição se comprometeu com os pagamentos dos salários dos médicos, referentes a agosto até o final de 2024, desde que o hospital receba novos recursos, como como os repasses previstos de uma emenda parlamentar e da segunda parcela do auxílio enchente.

Nesta quarta-feira, a direção da Santa Casa se reunirá com o corpo clínico para elaborar um plano de contingência. Recentemente, foi protocolado um pedido formal junto ao Ministério Público Federal, além de ser solicitada a renovação do Termo de Compromisso firmado em 2022 com o Município do Rio Grande e a PORTOS RS. "Caso aprovado, esse recurso será integralmente direcionado para a quitação dos valores devidos à folha médica", garante.

UPA Junção

As duas entidades também se reuniram com os médicos da UPA Junção de Rio Grande. Os profissionais demonstraram seu inconformismo com o atraso de dois meses em seus salários, sem que haja um posicionamento dos gestores quanto ao pagamento. Ficou definido que será feito pelos sindicatos um cronograma de ações visando o pagamento dos valores devidos.

A secretária municipal de Saúde, Zelionara Branco disse que irá se manifestar após o IBSaúde, que faz a gestão da UPA Junção se manifestar. Ela, apenas, adiantou que os repasses do município ao IBSAÚDE, que administra o local, estão em dia e só são realizados quando não há glosa por parte dessa empresa. O IBSaúde ainda não se manifestou sobre o atraso no pagamento dos salários dos médicos