Médicos completam nesta quinta-feira o terceiro dia de atendimento restrito a casos de urgência e emergência no Hospital de Pronto-Socorro de Canoas (HPSC) e nas UPAs Caçapava e Rio Branco, geridos pelo Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp).
Conforme o Sindicato Médico do RS (Simers), a finalidade da restrição é chamar atenção para os atrasos salariais e também para as más condições das instituições. A restrição causou apreensão entre pacientes e familiares ontem. Márcia de Almeida Junges disse que a previsão era de seis a oito horas de espera para o atendimento do filho, que caiu de moto e quebrou a clavícula. Rosa Maria das Graças contou que uma amiga chegou cedo ao HPSC, com dores na cabeça, e saiu após o meio-dia, sem atendimento.
A direção do Simers alega que faltam remédios, materiais para cirurgias e exames, água e produtos de limpeza. “Só estamos fazendo este movimento porque já cansamos de pedir providências. É inaceitável que se opere nestas condições”, disse a diretora do Simers, Gisele Lobato. Hoje, conforme ela, haverá nova assembleia para decidir se as restrições seguem por tempo indeterminado ou não.
O Gamp informa que as unidades sob sua gestão em Canoas não enfrentam falta de insumos que impossibilitem a prestação de serviços. Destaca que a população pode continuar procurando o hospital e demais unidades, pois não haverá falta de insumos ou de médicos. Informa ainda que há dois meses o Estado não repassa recursos, no entanto, prefeitura e Gamp têm se esforçado para manter o atendimento. A organização diz que segue em diálogo permanente com os governos municipal e estadual, a fim de sanar as dificuldades relacionadas ao pagamento dos salários de médicos. Segundo o grupo, há previsão de repasse nesta semana e problemas pontuais serão resolvidos.
Médicos restringem atendimento em hospital e UPAs de Canoas
Finalidade é chamar atenção para atrasos salariais