Motocicletas estiveram envolvidas em 63% dos acidentes de trânsito com mortes registrados em Porto Alegre nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, conforme levantamento da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Das 19 vítimas que perderam a vida em vias urbanas da Capital, nove eram condutores de motos, dois eram pedestres e um era ocupante (carona) do veículo.
Além disso, o levantamento da EPTC destaca ainda que dois dos motociclistas vítimas de acidente de trânsito atuavam como motoboy e mototáxi no momento do sinistro. Para o motoboy Marcelo Moura Ribeiro, o trânsito de Porto Alegre tem apresentado cada vez mais dificuldades para os motociclistas. Ele ainda se recupera de um acidente sofrido nas proximidades do cruzamento das avenidas Sertório e Assis Brasil.
“Como sou autônomo, não posso parar de trabalhar. Mesmo acidentado, estou atuando. Mas tem muito carro fechando e muita irregularidade na pista. Até tem uma faixa somente para motocicleta na avenida Assis Brasil, mas muitos motoristas não respeitam. Muitos ainda não entendem como funcionam e acabam fechando os motociclistas”, explicou.
De acordo com a EPTC, desde que foi implantada, a região onde está localizada a motofaixa na avenida Assis Brasil ainda não registrou nenhum acidente com óbito. Entre 2021 e a criação da faixa exclusiva, no ano passado, dois motociclistas haviam perdido a vida no trecho. A motociclista Shirlei Fischer avaliou como excelente a implantação da motofaixa, mas que, em outros locais, ainda há pouco respeito com quem utiliza moto.
“O trânsito em Porto Alegre é bem caótico, principalmente no horário de pico. Tirando aquele trecho da Assis Brasil com a faixa exclusiva, temos que tomar o dobro de cuidado sempre que vamos trafegar na cidade. Na motofaixa, o pessoal acaba não se atravessando tanto. Acho que, para evitar mais acidentes, também poderiam melhorar um pouco mais a sinalização das vias que a gente possa pilotar com mais segurança”, completou.
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EPTC solicitou prorrogação da motofaixa
Sem registro de vítimas fatais desde que foi aplicada, a motofaixa é uma das ações criadas pela EPTC para reduzir o número de acidentes envolvendo motocicletas em uma das principais avenidas de Porto Alegre, a avenida Assis Brasil. Por isso, o órgão encaminhou à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) o pedido de prorrogação da autorização do projeto. O período inicial da autorização vigente é de seis meses.
De acordo com a EPTC, a solicitação considera a necessidade de aprofundar o monitoramento dos indicadores de segurança viária e consolidar a análise dos impactos no fluxo de veículos pesados e motocicletas. A implantação do projeto experimental de motofaixa em Porto Alegre foi autorizada em 1º de outubro de 2025.
A sinalização abrange um trecho de aproximadamente 4km da avenida Assis Brasil, entre a avenida Joaquim Silveira, a partir do Terminal Triângulo, e a avenida Bernardino Silveira Amorim, no sentido Centro-bairro, nas proximidades da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).
A sinalização de faixa preferencial para motociclistas não está prevista no CTB e, por isso, depende de autorização específica da Senatran para fins de estudo experimental. A iniciativa tem como objetivo qualificar a circulação e reduzir os sinistros envolvendo motociclistas nesse importante corredor viário da Capital, com foco na ampliação da segurança dos motociclistas e na melhoria da fluidez do trânsito.