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Mais de 60% dos acidentes com mortes em Porto Alegre no início de 2026 envolveram motocicletas, aponta EPTC

Em janeiro e fevereiro, 19 pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito na Capital; em 12 delas, motocicletas estavam presentes

Levantamento da EPTC destaca ainda que dois dos motociclistas vítimas de acidente de trânsito em 2026 atuavam como motoboy no momento do sinistro
Levantamento da EPTC destaca ainda que dois dos motociclistas vítimas de acidente de trânsito em 2026 atuavam como motoboy no momento do sinistro Foto : Mauro Schaefer

Motocicletas estiveram envolvidas em 63% dos acidentes de trânsito com mortes registrados em Porto Alegre nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, conforme levantamento da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Das 19 vítimas que perderam a vida em vias urbanas da Capital, nove eram condutores de motos, dois eram pedestres e um era ocupante (carona) do veículo.

Além disso, o levantamento da EPTC destaca ainda que dois dos motociclistas vítimas de acidente de trânsito atuavam como motoboy e mototáxi no momento do sinistro. Para o motoboy Marcelo Moura Ribeiro, o trânsito de Porto Alegre tem apresentado cada vez mais dificuldades para os motociclistas. Ele ainda se recupera de um acidente sofrido nas proximidades do cruzamento das avenidas Sertório e Assis Brasil.

“Como sou autônomo, não posso parar de trabalhar. Mesmo acidentado, estou atuando. Mas tem muito carro fechando e muita irregularidade na pista. Até tem uma faixa somente para motocicleta na avenida Assis Brasil, mas muitos motoristas não respeitam. Muitos ainda não entendem como funcionam e acabam fechando os motociclistas”, explicou.

De acordo com a EPTC, desde que foi implantada, a região onde está localizada a motofaixa na avenida Assis Brasil ainda não registrou nenhum acidente com óbito. Entre 2021 e a criação da faixa exclusiva, no ano passado, dois motociclistas haviam perdido a vida no trecho. A motociclista Shirlei Fischer avaliou como excelente a implantação da motofaixa, mas que, em outros locais, ainda há pouco respeito com quem utiliza moto.

“O trânsito em Porto Alegre é bem caótico, principalmente no horário de pico. Tirando aquele trecho da Assis Brasil com a faixa exclusiva, temos que tomar o dobro de cuidado sempre que vamos trafegar na cidade. Na motofaixa, o pessoal acaba não se atravessando tanto. Acho que, para evitar mais acidentes, também poderiam melhorar um pouco mais a sinalização das vias que a gente possa pilotar com mais segurança”, completou.

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EPTC solicitou prorrogação da motofaixa

Sem registro de vítimas fatais desde que foi aplicada, a motofaixa é uma das ações criadas pela EPTC para reduzir o número de acidentes envolvendo motocicletas em uma das principais avenidas de Porto Alegre, a avenida Assis Brasil. Por isso, o órgão encaminhou à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) o pedido de prorrogação da autorização do projeto. O período inicial da autorização vigente é de seis meses.

De acordo com a EPTC, a solicitação considera a necessidade de aprofundar o monitoramento dos indicadores de segurança viária e consolidar a análise dos impactos no fluxo de veículos pesados e motocicletas. A implantação do projeto experimental de motofaixa em Porto Alegre foi autorizada em 1º de outubro de 2025.

A sinalização abrange um trecho de aproximadamente 4km da avenida Assis Brasil, entre a avenida Joaquim Silveira, a partir do Terminal Triângulo, e a avenida Bernardino Silveira Amorim, no sentido Centro-bairro, nas proximidades da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).

A sinalização de faixa preferencial para motociclistas não está prevista no CTB e, por isso, depende de autorização específica da Senatran para fins de estudo experimental. A iniciativa tem como objetivo qualificar a circulação e reduzir os sinistros envolvendo motociclistas nesse importante corredor viário da Capital, com foco na ampliação da segurança dos motociclistas e na melhoria da fluidez do trânsito.