Cidades

Mais de um ano depois, moradores ainda não retornaram totalmente a prédio que explodiu no Rubem Berta, em Porto Alegre

Após incidente, obrigações de acordo firmado pela construtora de condomínio estão “praticamente concluídos”, diz Defensoria Pública do Estado

Entrada da torre 9, uma das mais afetadas, ainda está com placas informando sobre obras
Entrada da torre 9, uma das mais afetadas, ainda está com placas informando sobre obras Foto : Camila Cunha

Mais de um ano depois da explosão no condomínio Alto São Francisco, bairro Rubem Berta, na zona Norte de Porto Alegre, causada por um vazamento de gás GLP em um dos apartamentos do 3º piso da torre 10, a vida praticamente voltou ao normal, mas este e também o prédio 9, também o mais afetado, ainda estão menos povoados do que as demais do complexo residencial, que, ao todo, tem 22 edifícios. Na ocasião, quatro foram interditados por danos na estrutura e 60 moradores precisaram deixar suas casas.

A tragédia, que matou o morador Tiago Lemos, 38 anos, e deixou outros habitantes feridos, ocorreu em 4 de janeiro de 2024. A maioria dos moradores atuais se recusa a falar sobre o caso, porém uma jovem que mora no 4º andar do prédio 10, disse ter “apagado” ao sentir o impacto. Sem se identificar, ela, que havia se mudado para o local cerca de quatro meses antes, contou ter uma bebê que faria oito meses de idade no dia seguinte à ocorrência.

“Senti o cheiro de gás e desci com ela. Hoje estamos muito bem, graças a Deus”, afirmou. “Quando estava no solo, escutei a primeira explosão, ouvi gritos e não lembrei de nada depois disso. Parece que teve uma segunda explosão depois, acho que era do pilar caindo”. Após sair do apartamento, ela foi temporariamente para outro condomínio, obtido pela Defensoria Pública do Estado (DPE/RS).

Depois, ambas se mudaram para a casa da mãe da jovem, onde ainda estão até hoje. “Estou agora arrumando meu apartamento aos poucos, colocando os pisos, para voltar em breve. Com criança pequena é ruim de vir para cá”, disse a moradora. A zeladoria do edifício contou que os reparos no local continuaram, pelo menos, até o último mês de dezembro, e ainda agora, na torre 9, que fica junto à 10, há placas na portaria principal informando que obras estão em andamento.

Também segundo a zeladoria, técnicos da Tenda estiveram na torre ainda na semana passada para inspecionar tubulações no térreo deste prédio, ainda como rescaldo da tragédia de 2024. O funcionário disse que vidros quebraram em ao menos outros nove prédios do entorno, no mesmo condomínio.

A torre 10 precisou ser demolida e reconstruída totalmente, como parte de um Termo de Colaboração Coletiva feito em conjunto entre a DPE/RS, outros órgãos públicos e empresas privadas. Na época, o Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS) e a Brigada Militar (BM) disseram que uma perícia apontava risco de desabamento da torre. Procurada, a Tenda disse, em nota, que “reconstruiu e oficializou a entrega da torre em 10 de novembro de 2024, dentro do prazo estipulado em termo firmado com todas as partes”.

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A Tenda classificou ainda como “desafiadora” a “experiência vivida pelos moradores ao longo de 2024”, mas que o “compromisso sempre foi trabalhar para que cada família pudesse retornar ao seu lar com segurança e conforto”. O Alto São Francisco foi “aprovado por todas as autoridades competentes e órgãos reguladores”, e em dezembro, os moradores voltaram às suas residências.

Já o defensor público Rafael Pedro Magagnin, dirigente, na época, do Núcleo de Defesa do Consumidor e Tutelas Coletivas (NUDECONTU), e hoje do Núcleo de Defesa Agrária e Moradia (NUDEAM), e que acompanhou o caso pela DPE/RS, destacou que as atividades do termo estão “praticamente concluídas”, entre elas, os pagamentos das prestações das unidades imobiliárias da torre 10 até o próximo mês de março. “Com isso, os moradores podem retornar às suas rotinas normais. As áreas de uso comum já foram liberadas, o que confere um ar de retorno à normalidade”, comentou Magagnin.

Leia a nota completa da Tenda

A construtora informa que reconstruiu e oficializou a entrega da torre 10 em novembro de 2024, dentro do prazo estipulado em termo firmado com todas as partes. Entendemos que a experiência vivida pelos moradores ao longo de 2024 foi desafiadora, mas, desde o início, nosso compromisso sempre foi trabalhar para que cada família pudesse retornar ao seu lar com segurança e conforto.

Reforçamos que, uma vez entregue ao condomínio, o empreendimento foi aprovado por todas as autoridades competentes e órgãos reguladores, e que o retorno dos moradores às suas residências ocorreu no início de dezembro.