A importância da malha hidroviária do Rio Grande do Sul, a segunda maior do Brasil, e a importância econômica da navegação para o estado foi pontuada pelo Capitão do Mar e Guerra da Marinha do Brasil, Flávio Firmino. O responsável pela Capitania dos Portos de Porto Alegre esteve em visita ao Correio do Povo, com a presença do comandante Marcio Abel da Silva Longo, assessor de relações institucionais, e foram recebidos pelo presidente Marcelo Dantas.
O Rio Grande do Sul utiliza 5% do modal hidroviário, e cerca de 80% do gás de ponta Leste vem ao Rio Grande do Sul por hidrovia, além do oxigênio medicinal, os usados em hospitais e o gás natural, e para os municípios do entorno com o transporte de pólo petroquímico. Tem sido, também, um polo de atenção para investimentos no transporte de hidrogênio verde, lembra Firmin
O capitão defende ações para potencializar o transporte hidroviário, como uma ligação Rio Grande do Sul-Uruguai. “Com essa ligação, você vai conseguir sair daqui de Porto Alegre e levar alguma coisa do Uruguai, ou quem sabe você tem um triângulo das virtudes ali, com Uruguai e Argentina”, diz
Ensino marítimo
A possibilidade de ampliação do ensino profissional marítimo foi defendida pelo capitão, que pontuou que na Capitania há, hoje, um departamento que oferece para a sociedade curso profissionalizante para pessoas que já concluíram o ensino fundamental – a formação de aquaviários Marinheiro Fluvial de Convés (MFC). O curso, que ocorre no período de três meses, tem 30 vagas e permite que civis tornarem-se aquaviários e trabalharem na marinha mercante, em qualquer empresa de navegação, desde barco de turismo, até navios mercantes e balsas de transporte.
“Muitas vezes, os primeiros colocados já saem empregados, e tem funcionários das companhias que já vêm indicados por ela e vêm só se qualificar”, afirma Firmino. “É uma profissão que tem uma alta demanda e procura das empresas na navegação. Inclusive, no finalzinho do curso, a gente faz esse encontro da companhia de navegação com os alunos”, complementou o comandante Marcio Abel.
A proposta de uma emenda relacionada ao projeto já foi apresentada para a bancada gaúcha na Assembleia Legislativa pelo menos duas vezes durante dois anos para a construção de uma escola de aquaviários em Porto Alegre, e estima que o investimento seja de R$ 12 milhões. “E a gente não vai formar só o pessoal que trabalha no rio. Vai formar também o marítimo, o que vai dar um portfólio muito maior de cursos, para a gente oferecer para a sociedade”, afirma o capitão. A ideia é que a escola seja construída no terreno localizado no 4º Distrito, onde ficam as embarcações, com salas de aula, auditórios e simuladores modernos.
Firmino defende a construção da escola como potencial de trabalho e conhecimento na área marítima. “Essa escola vai transformar o Rio Grande do Sul num polo de informação tanto com o pessoal que trabalha na área fluvial e será utilizada também para quem trabalha na parte marítima”, diz. Ele acredita que, trazendo uma escola de aquaviários e criando um polo técnico, vai ampliar a visibilidade e o potencial que o Rio Grande do Sul tem na parte hidroviária, estimulando seu crescimento.
Firmino também comentou sobre a situação do Porto de Estrela, complexo portuário do Vale do Taquari, que teve prejuízos na enchente de maio de 2024 por conta da perda do pavilhão operacional e da área ao redor. A catástrofe climática foi o principal fator para decretar a inoperância total da via navegável. “Antes mesmo da enchente, já tinha acontecido algum encalhe ou outro esporádico. O Guaíba ficou muito tempo sem fazer a dragagem, então, foi entrando a areia e não foi sendo retirada essa areia, e ocorreram alguns impactos”, afirma Firmino. O capitão disse que está conversando com autoridades sobre as possibilidades de voltar a utilizar o ponto, que depende de órgãos reguladores para voltar a funcionar, principalmente pensando em uma ligação de hidrovia Brasil-Uruguai.