Cidades

Mega Help leva milhares de pessoas ao Parque da Redenção para abordar a saúde mental na reconstrução do RS

Terceira edição do evento teve também momentos em alusão aos desafios que o RS passa após as enchentes de maio

Evento do Projeto Help reuniu milhares de pessoas no Parque da Redenção neste sábado
Evento do Projeto Help reuniu milhares de pessoas no Parque da Redenção neste sábado Foto : Pedro Piegas

“Às vezes, a pessoa só quer que os outros ouçam ela e que ela se sinta acolhida. Desde que eu cheguei aqui, eu consegui me sentir melhor”. Para Gustavo Rocha Alves, morador de Porto Alegre, o momento de acolhida que o Mega Help, realizado na tarde deste sábado no Parque da Redenção, serviu de alento para seguir a vida. O evento, que está em sua terceira edição, é realizado em alusão ao Setembro Amarelo. Entretanto, o Projeto Help realiza atividades mensais de acolhida, principalmente em estações do Trensurb.

A coordenadora do projeto na Capital, Fabiana Martens, destacou que as equipes também atuaram, desde maio, em outras frentes para ajudar quem mais precisa de suporte, em função do fechamento de algumas estações e da necessidade de atendimento junto ao público em outros locais, como nos abrigos dos atingidos. O Mega Help, assim como grande parte dos eventos realizados desde a enchente, alertou para a reconstrução do Rio Grande do Sul também a partir da saúde mental.

“A gente não trabalha só em setembro. Neste evento, nós chamamos e apresentamos tudo o que fazemos ao longo do ano nas estações, nas escolas e nos bairros. Só que, depois da enchente, aumentou a demanda deste tipo de acolhimento. As pessoas perderam tudo, então o suporte emocional é muito importante. Na enchente, o Help entrou de barco para levar a palavra de superação, levar alimento, coberta e mais. E hoje nós estamos aqui para cuidar da dor do outro e dizer que tem sim como reconstruir e levantar mais forte”, afirmou Fabiana.

Uns dos espaços de acolhimento destinados para o público eram os “Mega Cantinhos do Desabafo”, instalados nos dois lados do parque. Ainda conforme a coordenadora do projeto na Capital, muitos dos voluntários que atuaram nestes espaços também sofreram com a enchente. Um destes casos é o de Cybelle Nobles Moura, coordenadora do Help em Canoas, que teve a casa invadida pela água em maio de 2024.

“A gente sofreu com tudo. Mas, mesmo assim, dentro de mim, também existia essa vontade de ajudar aquelas pessoas que estavam sofrendo. A nossa força de superar veio de ajudar o próximo e de dizer que aquilo que vivemos não é o fim, mas que há sempre um recomeço. Em Canoas, nós visitamos abrigos e distribuímos alimentos com recados nas marmitas. Depois disso tudo, as pessoas começaram a procurar mais ajuda, com o coração aberto, do projeto Help, pois o nós também vivenciamos o sofrimento delas”, completou Cybelle.

Palestras e homenagens ao RS

Realizado um dia depois do 20 de Setembro, o Mega Help também contou com momentos de celebração da cultura gaúcha. Grande parte do público que chegou cedo e ficou perto do palco onde aconteciam as atrações era de caravanas de cidades do interior do Estado, que cantaram e dançaram ao som de músicas tradicionalistas na abertura do evento, além de entoarem o Hino Riograndense.

Os grupos vindos do interior também participaram de uma competição de danças. Como bom gaúcho, o morador de Canoas, Matheus do Carmo, participou do campeonato utilizando trajes tradicionalistas e apresentou danças típicas da invernada gaúcha. “O tema da apresentação foi as enchentes. A mensagem que a gente passou é de que, mesmo com toda as dificuldades, nós vamos superar isso de cabeça erguida. Mas sempre reforçando que a saúde mental é importante para vencer os problemas”, contou.

Um dos destaques do Mega Help foi a palestra ministrada pelo bispo Guaracy Santos, líder estadual da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) no RS. Ele citou a importância do cuidado com a saúde mental. “Nunca esqueçamos que a classe médica está entre as primeiras que querem nos ajudar. Então, nunca interrompa um tratamento médico. São eles que têm que dizer se você precisa parar de tomar. Mas a partir do momento que você carrega uma dor que a medicina não diagnostica, então continue o tratamento médico, mas aposte também as suas fichas em Deus”, finalizou.