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Menu POA debate a emergência no sistema de saúde do Rio Grande do Sul

Encontro da ACPA recebeu o secretário da Saúde de Porto Alegre e a diretora técnica da Santa Casa para discutir os desafios e o cenário atual da saúde na Capital

Secretário da Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, foi um dos convidados
Secretário da Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, foi um dos convidados Foto : Pedro Piegas

A saúde em emergência na Grande Porto Alegre foi o tema do Menu POA, evento da Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), realizado nesta terça-feira (10), na Capital. O secretário da Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, e a diretora técnica da Santa Casa, Gisele Nader Bastos, foram os convidados para explicar o momento vivido pela área da saúde na reunião-almoço, que ocorreu no Salão Nobre do Palácio do Comércio.

Durante o evento, Ritter detalhou a rede de saúde da cidade, que opera com um orçamento de R$ 3 bilhões, provenientes de recursos federais, estaduais e municipais. A estrutura de saúde de Porto Alegre compreende 134 unidades de saúde, 214 prédios e 20 hospitais, além de equipes dedicadas à saúde mental.

O secretário destacou que as prioridades incluem a melhoria da atenção primária e a ampliação dos serviços de urgência, com planos de abertura de dois novos pronto atendimentos. “Queremos mostrar aqui a nossa prioridade, que é melhorar a resultividade da atenção primária, através das nossas equipes multiprofissionais, bem como ampliar a necessidade de serviços de urgência”, afirmou.

Ritter ressaltou o papel de Porto Alegre como capital do Estado, recebendo pacientes de diversas regiões, mas alertou que isso tem demandado um orçamento maior do que a capacidade da cidade. “Os recursos não têm sido corrigidos na mesma proporção que os custos da saúde vêm. Então, a gente tem hoje mais demanda do que oferta”, explica.

Ele pontuou o sistema de saúde enfrentou neste ano uma particularidade preocupante, que foi a alta ocupação dos leitos hospitalares antes mesmo da chegada do período de frio mais rigoroso. “Antes do inverno já iniciamos com uma taxa de ocupação de 10% a mais do que a gente tinha no ano passado e o ano retrasado”, observou.

Riter explicou ainda que, se normalmente Porto Alegre chegava ao inverno com cerca de 90% dos leitos ocupados, agora a ocupação é superior a 98%, o que exige a compra de novos leitos e a ampliação de serviços.

Sobre os anúncios feitos na segunda-feira (9) pelo governo do Estado, Ritter avaliou positivamente a ampliação de recursos, mas pontuou que a Operação Inverno do Rio Grande do Sul estava aquém da necessidade. Ele também defendeu a discussão da tabela SUS gaúcha com os municípios. “Este era um peito da Granpal, pois a gente precisa ser ator de deste processo, com critérios claros, definindo a complexidade, a prioridade, a gravidade e os custos, vendo quais são os gargalos principais. A saúde acontece nos municípios e é a gente que sente as dores”, afirmou.

Já Gisele contextualizou o cenário da Santa Casa, que possui 220 anos e dedica 63% dos seus atendimentos ao SUS. Ela explicou que é enfrentada uma sobrecarga nas emergências e unidades de pronto atendimento, especialmente com a chegada do inverno e a coexistência de doenças crônicas. "Isso tem dado uma sobrecarga muito grande, causando uma pressão nas portas de emergência, que são pacientes oncológicos e transplantados, entre outros, que também precisam desse apoio", relatou.

A diretora da Santa Casa diferenciou a atual sobrecarga dos anos anteriores, observando que, apesar de não haver uma busca excessiva por gripes virais comuns, há muitos casos de pacientes graves, crônicos e descompensados. Gisele atribuiu isso ao pós-pandemia, onde os pacientes perderam os seus acompanhamentos, além das perdas de estruturas de saúde pós-enchente no Estado. “Esses pacientes estão desassistidos no entorno da cidade e eles estão buscando cada vez mais a Capital para seu atendimento de doenças crônicas não compensadas”, frisou.

Além disso, ela explica que na pediatria a demanda segue alta por doenças respiratórias, com casos de influenza A e B. Para lidar com a situação, a Santa Casa realizou um investimento, convertendo 27 leitos de convênio para o SUS com recursos próprios, para desafogar sua emergência.