Cidades

Mesmo com dificuldades, empresas de transporte atuam para garantir abastecimento no RS

Sindicato do setor aponta perdas com veículos e também redução de mão de obra em função de trabalhadores que tiveram casas atingidas pela enchente

Caminhões de transportadoras ajudando no abastecimento de Porto Alegre no acesso pelo corredor humanitário
Caminhões de transportadoras ajudando no abastecimento de Porto Alegre no acesso pelo corredor humanitário Foto : Alex Rocha/PMPA/CP

Estradas bloqueadas, perdas materiais, funcionários sem poder trabalhar. A realidade do setor de transporte e logística no Rio Grande do Sul, em função das enchentes, é de muita dificuldade. Ainda assim, as empresas do setor estão ajudando a superar obstáculos e garantir o abastecimento de itens essenciais para os gaúchos, em especial aos desabrigados. Nos últimos dias, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul (Setcetergs) passou a integrar o Gabinete de Crise do Governo do Estado para auxiliar na logística do abastecimento.

O presidente do sindicato, Sérgio Mário Gabardo, ressaltou que isso demonstra a importância do setor de transporte rodoviário de cargas no atual cenário vivido no RS. Além disso, ele destacou que a maioria dos transportes que estão sendo realizados ocorrem de forma voluntária por parte das empresas transportadoras. “As empresas estão enfrentando grandes obstáculos devido às condições adversas das estradas, inúmeros bloqueios, acessos complicados, mas estamos comprometidos em manter nossas operações para assegurar que os produtos cheguem aos seus destinos e que a população tenha acesso aos itens essenciais. Esse cenário mostra a essencialidade do transporte e logística para toda a economia gaúcha”, relatou Gabardo.

Recentemente, o sindicato passou a integrar o Gabinete de Crise do Governo do Estado, junto a Secretaria de Transportes do Estado, para ajudar na organização logística do transporte de donativos. “Quando há uma catástrofe dessas, é um aprendizado de todos os envolvidos. Estamos tentando, de alguma maneira, ajudar o governo. Em parte, a gente entende o lado do governo para não gastar, mas o transportador não pode ser o bom samaritano para sempre. O caminhão precisa de combustível, o motorista precisa de salário. A atividade de transporte é essencial”, completou.

Gabardo também falou sobre as perdas registradas no setor. Segundo ele, muitas garagens de empresas ficaram alagadas e, principalmente, muitos trabalhadores perderam seus bens materiais. “O setor foi muito atingido. E para podermos trabalhar, nós dependemos de mão de obra, mas muitos motoristas perderam suas casas. Depois, nós vamos perder cargas, principalmente relacionadas com a agricultura e com as indústrias paradas. As estradas também estão precárias. Isso tudo é perda para os transportadores. Mas, em primeiro lugar, nós temos que pensar nas pessoas, pois as empresas são feitas delas e não apenas de bens materiais”, finalizou.

Ação social para os atingidos

O Sindicato está também operando através do Núcleo de Ação Social (NAS) fazendo marmitas, sanduíches e distribuindo em entidades que estão responsáveis pelo acolhimento de desabrigados. São aceitos donativos essenciais, como colchões, água potável e materiais de higiene e limpeza. Para auxiliar tanto as empresas quanto a população, o sindicato também disponibiliza uma série de recursos online, incluindo mapas atualizados com bloqueios de rodovias, rotas alternativas e informações sobre as condições das estradas.

Além disso, o sindicato lançou a Campanha S.O.S Rio Grande do Sul – Carreta Solidária, uma corrente de solidariedade para auxiliar as vítimas das enchentes. As doações podem ser feitas por meio da chave PIX nas@setcergs.com.br; entregues pessoalmente na sede do Setcetergs (avenida São Pedro, 1420, Bairro São Geraldo) ou nos pontos de coleta da campanha em diversas cidades, que podem ser conferidas no site www.setcergs.com.br.