No bairro Sarandi, zona norte de Porto Alegre, a vida de Letícia Nogueira, de 21 anos, mudou drasticamente após sua casa ser atingida pela enchente devastadora, em maio deste ano. Ela e sua família vivem há seis meses na região e agora enfrentam a difícil situação de ver sua casa tornar-se inabitável devido à invasão das águas do dique Sarandi.
Letícia observa que alagamentos no local são vistos como normais, e a primeira inundação que ela enfrentou foi em janeiro. Em maio, as águas subiram rapidamente durante a noite. Letícia revela que saiu de casa apenas com algumas mudas de roupas, mesmo não acreditando que a água poderia subir tanto.
"Se a gente tivesse ficado, não teria como sair. Eu levei uma mochila de roupa. No outro dia não dava para atravessar a ponte”, lembra.
Sobre as ações das autoridades, Letícia se mostra cética. "Sempre chove, sempre enche, e parece que nada muda. Espero que desta vez seja diferente", desabafa, refletindo a frustração com a falta de soluções duradouras para os problemas causados pelas enchentes recorrentes na região.
Atualmente Letícia aguarda o auxílio Estadia Solidária da prefeitura de Porto Alegre para sair do local. Ela afirma que não tem como alugar outro espaço e que todo o dinheiro que a família tinha foi investido na compra da casa. "Se eu recebesse as parcelas de mil reais eu sairia daqui”, afirma, ressaltando que não entende o porquê que seu cadastro não foi liberado. “O Estadia Solidária foi recusado. Eu já recebi o auxílio Reconstrução e comprei alguns móveis”, conta.
A sua sogra, Michele Ribeiro, morava no mesmo terreno há 17 anos e depois da enchente decidiu sair do local. Mas afirma que fica com o coração apertado em saber que a sua família ainda está no terreno que pode voltar a ficar submerso a qualquer momento.
“Agora a água entra pela parte de trás também”, destaca. Michele ainda conta que os vizinhos ajudaram uns aos outros no dia da enchente e que agora aguardam a visita da Defesa Civil para avaliar as estruturas das casas.
De acordo com a prefeitura, mesmo que o cadastro de Letícia apresente a informação equivocada de que ela não tem inscrição no Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico), o benefício dela não foi recusado e “pode ser que seja pago em um próximo lote”, que não tem data prevista para ocorrer.
Desde o dia 17 de junho foram pagos seis lotes. Estão aptas para receber o auxílio 3.944 famílias e 2.879 já receberam. O número de famílias que não manifestou a confirmação para o recebimento chega a 1.050. É necessário que a família confirme a mensagem enviada pela prefeitura.
Hoje é o último dia para que as famílias diretamente atingidas pela enchente de maio realizem o castro no Registro Unificado PMPA, que tem a finalidade de identificar o público atingido e qualificar dados para encaminhar à elegibilidade em programas sociais dos três níveis do poder executivo. O cadastro pode ser online ou presencialmente e o sistema permanecerá disponível apenas para alteração dos dados já cadastrados.
Auxílio Reconstrução
- Prazo para cadastramento: sexta-feira, 12, às 17h.
- Prazo envio dos dados ao governo federal: sexta-feira, 12, às 23h59.
- R$ 5,1 mil por família.
Critérios:
- Famílias desalojadas ou desabrigadas residentes em áreas inundadas ou danificadas por enxurradas ou deslizamentos em decorrência dos eventos climáticos nos municípios que tiveram a situação de emergência ou o estado de calamidade pública.
Estadia Solidária
- Prazo para cadastramento: sexta-feira, 12, às 17h.
- R$ 1 mil por até 12 meses.
Critérios:
- Morador de Porto Alegre de área atingida pela enchente de maio, segundo critério da Defesa Civil Municipal;
- Cadastro no Registro Unificado Municipal e autodeclarar que a sua residência não está habitável;
- Inscrição no Cadastro Único do governo federal (CadÚnico);
- Ser morador/família com renda mensal informada no CadÚnico de até meio salário mínimo por pessoa (R$ 706).