A elevação do Guaíba segue assustando moradores do Arquipélago, na capital. Conforme o relato de pessoas que moram na Ilha Grande dos Marinheiros, o vento Sul tem feito o nível das águas subir entre o final da tarde e o início da noite, alagando ruas ao longo da madrugada. Quando o sol nasce, o Guaíba começa a descer e dar um pouco mais de tranquilidade para os poucos que conseguiram retornar para a sua casa.
Um exemplo desta preocupação é vivido pela moradora Marta Zakowicz, na rua João Inácio da Silveira. Ela conta que, na madrugada desta sexta-feira, precisou ficar acordada na porta do barraco que construiu no terreno onde fica sua casa para ficar observando se o Guaíba subiria mais, forçando uma nova retirada às pressas dos poucos pertences seus que resistiram à enchente de maio.
Se por um lado as águas trouxeram destruição para a região, ela aponta ainda que um dos símbolos da cheia, apesar de todos os prejuízos causados, ajuda a evitar novos alagamentos na sua rua. “Esses bancos de areia que vieram pelo Guaíba ajudaram a nos proteger da correnteza. Na quarta, a água estava quase na porta. Então as dunas estão ajudando que a água não venha com tanta força. Mas nós estamos na expectativa. No momento que o nível subir e ameaçar entrar no barraco, vamos ter que sair correndo e ir para a beira da BR 290”, alertou.
Ela conta ainda que ficou mais de um mês morando na rodovia. Nos últimos dias, montou o barraco na frente do terreno onde fica sua casa, que foi duramente afetada pela enchente. Marta fala ainda que tem medo de entrar na estrutura de madeira, com medo de tudo cair por cima dela. Entretanto, a maior dor é ver o estado que ficaram seus pertences e, principalmente, o material escolar que sua bisneta, de 7 anos, ganhou para estudar neste ano. “Tudo isso acabou”, lamentou Marta ao apresentar o estado da sua casa.
Na rua onde mora, a água já toma conta de parte da via e das calçadas. Muitos entulhos seguem aguardando remoção na região. A medição das 15h, de acordo com a régua da Agência Nacional de Águas (ANA) no Cais Mauá indicava que o nível do Guaíba estava em 2,52 metros.