Integrantes do Comitê formado por moradores do lado oeste da cidade de Canoas, atingidos pelas enchentes de maio de 2024, estiveram na Prefeitura para dialogar com as autoridades com o objetivo de reivindicar mais uma vez pela celeridade das obras estruturantes e emergenciais que compõem o sistema de contenção contra as cheias.
Entretanto, as famílias também pedem por ações que visem a geração de emprego e renda, mais oportunidades de trabalho, cursos de formação, de qualificação profissional e reinserção no mercado de trabalho, bem como ações que trabalham a saúde mental e adultos e crianças. Na oportunidade, representantes dos bairros São Luís, Mathias Velho, Harmonia, Mato Grande, Fátima e Rio Branco entregaram um documento ao Executivo pontuando as principais reivindicações da população local.
De acordo com Ernani Ribeiro, que mora há mais de 25 anos no bairro Fátima e tem uma loja de marcenaria, hoje, após ter sido duramente atingido pela inundação e perdido praticamente todo o material de trabalho, ele teve que se reinventar. "Passado mais de um ano da enchente, as pessoas ainda sentem muita insegurança. Poucas ações foram feitas. É preciso lembrar que no lado oeste, 180 mil pessoas foram atingidas. Ainda temos postos de saúde fechados, escolas e a casa da economia solidária não está operando."
Segundo ele, há uma série de demandas que ainda não foram atendidas. "A administração precisa ter um cuidado com a saúde mental das pessoas, especialmente das crianças que entram em pânico quando começa a chover. Segundo relato das mães, têm crianças que chegam a dormir com a mochila pronta em dias de temporal."
Eva Lacerda, que mora no bairro Harmonia há 35 anos, e que por 30 dias a casa onde mora ficou embaixo da água, diz que além das ações de hidrojateamento, limpeza dos bueiros e das redes de esgoto, é muito importante que a prefeitura invista em iniciativas de geração de trabalho e renda. "Muitas famílias tiveram suas rendas prejudicadas, e o processo de reconstrução e de recomeço está sendo muito difícil. Muitas pessoas ainda não retornaram para suas casas. Isso ainda é dolorido e realmente muito sofrido."
A moradora conta que muitos espaços onde a comunidade se organizava para a realização de feiras, formação, locais onde aconteciam cursos, foram todos completamente destruídos. "Há pessoas que ainda buscam outras formas de sobrevivência e alternativas. As pessoas perderam muito do poder aquisitivo. Microempreendedores foram muito prejudicados. Há muitas casas abandonadas. Precisamos muito da ajuda do poder público."
COMO SE MANIFESTOU O EXECUTIVO CANOENSE
A Prefeitura de Canoas informou que a respeito dos pontos levantados pelos moradores no encontro, a administração esclarece que vem trabalhando diariamente para reduzir os impactos causados à população pelo incidente climático ocorrido no ano passado.
Os serviços de hidrojateamento, essenciais para prevenir alagamentos e que vinham sendo realizados de forma pontual desde o começo do ano em parceria com a Corsan, foram ampliados a partir de junho, quando uma nova empresa foi contratada. Na última semana, teve início a recuperação do asfalto das vias públicas que foram prejudicadas pelas águas, no lado oeste da cidade, e pelo aumento de fluxo de veículos, no lado leste.
Mesmo sem ter recebido ainda os recursos do governo estadual, que devem chegar em breve, a Prefeitura de Canoas nunca parou as obras do sistema de contenção de cheias, seguindo os trabalhos com recursos próprios até o momento. Atualmente, os diques Rio Branco e Mathias Velho já estão com as etapas de conserto de suas rupturas concluídas, enquanto as equipes técnicas trabalham nos projetos que visam suas elevações.
Enquanto isso, as obras seguem nos diques Niterói e Mato Grande, assim como no muro da Cassol. A administração municipal permanece à disposição para atender a população e reitera seu total apoio a movimentos sociais e organizações de moradores que buscam zelar pela cidade e lutar pelo melhor para Canoas.
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