Após a espera de uma década, os moradores de Porto Alegre finalmente viram a conclusão da última etapa da obra de duplicação da avenida Tronco, com a liberação do trânsito nesta manhã de terça-feira. Os três quilômetros finais, que abrangem os trechos 1 e 2, desde a rua Catão Coelho até a Professor Freitas de Carvalho, agora completam os seis quilômetros de via duplicada, conectando a zona Sul à zona Leste da capital. Com um investimento total de R$ 122 milhões. Além da duplicação da via, o projeto incluiu drenagem, corredores de ônibus, ciclovia, nova sinalização e iluminação pública.
O prefeito Sebastião Melo esteve no local, acompanhado de secretários e afirmou que a mobilidade urbana da Capital foi beneficiada. "Entregamos hoje a última obra da Copa e mais social de todas elas. A mobilidade humana ganha muito com a avenida Tronco duplicada. Essa é uma ligação importante entre a Zona Sul, a Azenha e a Terceira Perimetral. É um ganho importante para a população da região e de toda a cidade", disse Melo.
Apesar do reconhecimento de que a obra valorizou a região, alguns moradores afirmam que há incertezas sobre o resultado final e apelam para que as autoridades expliquem melhor o plano para a área.
Valdemar Bueno é dono de um comércio bem no centro da avenida Tronco. Ele aprovou a obra finalizada, depois de 10 anos de atraso, mas ressaltou que os moradores do entorno estão preocupados com o que chamam de “buraco” entre as avenidas.
Há preocupação com o escoamento da água da chuva e possíveis inundações. Além do mau cheiro com o calor e focos de mosquitos.
“Deixar esse buraco aqui vai ser terrível. A princípio eles iam botar um cercado de concreto na volta, só que o cercado de concreto também vai matar a vista da rótula. Eu imaginava que eles iam criar algum detalhe dentro disso aí”, disse Bueno.
Elisângela Santos afirmou que a sua preocupação é com os focos de mosquitos e com o acúmulo de lixo que pode vir a acontecer no local.
“Está muito lindo. A única pergunta que ainda não quer calar é como é que vai ficar isso aqui. Porque esse buraco no verão, não se aguenta o cheiro do esgoto. E tem muitos mosquitos”, afirmou.
Bueno ainda questiona a revitalização das calçadas. De acordo com ele, a sua calçada sofreu danos com as obras e foi informado de que ela seria revitalizada.
“Eu fico bem chateado porque é umas das coisas que a gente cuida. Isso aqui todos os anos eu pinto, deixo tudo bonitinho. E agora tá assim. Eu questionei o rapaz da obra ele disse que refariam as calçadas. Só que eu digo pra ti, eu só vou acreditar depois de ter arrumado, porque a primeira vez eles quebraram e aí eu tive que arrumar. E eles não arrumaram e deixaram por isso mesmo”, desabafou o empresário.
Avenida Tronco é liberada após conclusão da duplicação dos últimos três quilômetros, entre as ruas Capitão Coelho e Professor Freitas de Carvalho
De acordo com a Secretaria de Obras e Infraestrutura (Smoi) o “buraco” que os moradores reclamam “é uma bacia de amortecimento, que serve para o escoamento da água que desce tanto da parte alta da Cruzeiro quanto do Teresópolis, para não causar alagamento na região da Azenha”. O local tem 90 metros de circunferência.
A assessoria informou também que essa parte das obras não está completa, pois falta fazer o replantio das gramas que erodiram e afirmou que o local não será cercado. Segundo a Smoi, o contrato da obra é válido até julho e os reparos necessários serão realizados até esse período. E que as calçadas estão sendo arrumadas diariamente.