O tempo fechado voltou neste domingo a Porto Alegre e à região Metropolitana, depois de um sábado de tempo firme, uma trégua diante da chuva incessante dos dias anteriores. A chuva se concentrava em locais isolados, por vezes forte, fazendo com que os moradores novamente entrem em estado de alerta diante da possibilidade de novas precipitações intensas nos próximos dias, causando o chamado “repique”.
O nível do Guaíba no Cais Mauá estava em 1,84 metro, de acordo com a MetSul Meteorologia, queda sobre as horas anteriores. No bairro Arquipélago, na Capital, os locais alagados eram relativamente poucos, concentrados principalmente em trechos mais baixos da rua Nossa Senhora Aparecida, na ilha da Pintada, perto da régua de medição, onde motoristas não se arriscavam a passar, dando meia volta na via. Veículos da Defesa Civil Municipal circulavam pelas ruas.
A área, assim como o extremo sul da cidade, está com um alerta de risco alto segundo a plataforma POA Clima, mantida pela Prefeitura, válido até o meio-dia desta segunda-feira. Também conforme a Defesa Civil Municipal, para os próximos dias, a tendência é de elevação gradual e contínua dos níveis do Delta do Jacuí e do Guaíba, com possibilidade de ampliação dos impactos nas regiões ribeirinhas. O autônomo Luiz Alberto de Abreu Filho caminhava em meio à água nesta manhã, enquanto observava o celular.
Nível da água diminui na região das ilhas de Porto Alegre
“Estou acompanhando as notícias a respeito da chuvarada, embora o rio esteja baixando. Isto aqui estava mais baixo do que ontem, por exemplo. O normal mesmo é lá embaixo. A gente não quer que repita (as enchentes de) 2024”, disse ele. Próximo dali, pescadores limpavam o lodo deixado pelas águas do Jacuí nos trapiches. Na Ilha Grande dos Marinheiros, o cenário era parecido, com limpeza sendo realizada em algumas casas.
Já em Canoas, ainda havia pontos de alagamento na Praia do Paquetá, com acesso liberado, e igualmente o cenário era de limpeza de casas e comércios. O pescador Darlei dos Santos Pires trajava uma jardineira e limpava com um lava-jato o comércio da família na rua principal do local. “Melhor não esperar a próxima chuva. A anterior tampou até o segundo degrau aqui”, disse ele, apontando para uma escadaria curta próxima.
Com o equipamento, o morador removia o barro no interior do estabelecimento. Outros aproveitavam a pescaria, salientando que, mesmo nesta época de rio barrento e veloz, os peixes se fazem presentes. “A Prefeitura tem passado aqui e verificado a situação. Nessa época do ano acontecem as chuvaradas. Acontece que o clima está bastante desregulado ultimamente”, observou Pires.