Cidades

Moradores da Ilha da Pintada pedem dragagem do Guaíba

Durante o período de reconstrução, população da Ilha enfrenta novos alagamentos

Resíduos da enchente de maio se misturam com os novos alagamentos
Resíduos da enchente de maio se misturam com os novos alagamentos Foto : Pedro Piegas

Prestes a completar dois meses da enchente, Catia Luciana Alves, moradora da Ilha da Pintada há 54 anos, afirma que espera ver novamente a vida e a beleza na Ilha da Pintada, no arquipélago de Porto Alegre.

Entre as máquinas que ainda retiram os entulhos das ruas e outras vias novamente com água, a professora define o episódio como uma verdadeira calamidade, a pior que já testemunhou em sua vida. "Parecia uma guerra", lamentou.

Catia diz que a situação se agravou ainda mais porque a população da região não estava ciente do grande impacto que estavam prestes a sofrer.
Durante a enchente, Catia teve que se separar temporariamente de seu marido, que ficou na residência enquanto as águas subiam. "Ele teve que fazer sinal com a lanterna, um pedido de socorro na escuridão", contou.

Sobre o futuro, Catia demonstrou preocupação com o apoio governamental. "Espero que o governo e a prefeitura não se esqueçam da Ilha da Pintada. Precisamos de ajuda para reconstruir nossas vidas, especialmente para os idosos e crianças que perderam tudo", apelou ela, refletindo a urgência de medidas efetivas de assistência e reconstrução. “ A ilha aqui era um paraíso. Agora nós vamos ter que começar de novo. E eu vou ajudar o que eu posso. Ainda bem que tem muita gente ajudando”, disse.

Moradores da Ilha da Pintada pedem dragagem do Guaíba. | Foto: Pedro Piegas

Além disso, Catia destacou uma preocupação antiga dos pescadores locais que alertam sobre a necessidade de dragar o Guaíba, há anos. "Eles tinham razão. Se tivessem dragado o rio antes, talvez essa tragédia pudesse ter sido evitada", lamentou, ressaltando a importância de ouvir e agir sobre os alertas da comunidade.

Em outro ponto da Ilha, Fernando Souza está olhando a água chegar novamente perto da sua casa e as pilhas dos resíduos retirados das residências, após a enchente de maio, sendo espelhados pela correnteza.

"Nunca entrou água na minha casa, então alguma coisa mudou. São os bancos de areia. Esse é o principal problema. Tem que ser dragado. Olha onde a areia veio parar, dentro das ilhas. Eu sei que vai vir de novo, a minha ideia é tentar fazer um segundo andar para tentar me salvar”, disse o eletricista e pescador revelando que passou três dias em cima de um isopor com sua cadela e cinco filhotes. "Eu tinha uma vitamina de um litro de chocolate e dividi com os cachorros durante três dias. Eu dava na mão e eles lambiam. E eu tomava dois goles. Eu tomei junto com eles”, revelou.