Cidades

Moradores da Ilha das Flores sentem efeitos da redução do nível do Jacuí em Porto Alegre

Neste local, pesca ainda não está afetada, segundo eles, mesmo com nível do rio mais baixo em meio à crise hídrica

Efeitos da crise hídrica no Rio Jacuí
Efeitos da crise hídrica no Rio Jacuí Foto : Pedro Piegas

As novas fortes quedas nos níveis dos principais rios da Região Metropolitana no domingo não foram suficientes para retirar os cursos d’água da condição de atenção nesta segunda-feira, de acordo com a medição realizada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), e divulgada diariamente. Com isso, seguem liberadas as captações de água para uso indistinto ao abastecimento humano.

De acordo com o levantamento, no Rio dos Sinos, as marcas aferidas foram de 1,77 metro na régua da Corsan, em Campo Bom, 17 centímetros a menos do que no dia anterior, 1,70 metro na medição do Semae, em São Leopoldo, medição idêntica ao sábado, e 2,68 metros na aferição da Comusa, em Novo Hamburgo, também representando uma redução de 17 centímetros.

Já no Rio Gravataí, as medições foram de 1,86 metro na Estação de Tratamento de Água (ETA) Alvorada, menos quatro centímetros sobre o sábado, 1,26 metro na ETA Gravataí, no Passo dos Negros, seis centímetros inferior ao dia anterior, e 1,89 metro no Balneário Passo das Canoas, também em Gravataí, menos quatro centímetros.

No Guaíba, a marca medida na régua da Usina do Gasômetro, no Centro Histórico, foi de 1,48 metro no começo da manhã da segunda-feira, com tendência de baixa, e há diversos locais onde é possível perceber o recuo da água. Na Ilha das Flores, na Capital, o experiente mecânico de lanchas Luciano Luzza, que trabalha em uma marina próxima, disse que o assoreamento do Rio Jacuí traz problemas para a navegação, mas não necessariamente para os pescadores, que seguem coletando as piavas, peixes que ocorrem na época do veraneio.

“Retirei daqui semana passada exemplares de dois, três quilos. Quanto ao nível da água, já chegou a estar com 13 metros de profundidade, agora está com oito metros e pouco. Antigamente, a gente passava por baixo dos pilares. Mais do que isto, a água não vai baixar mais”, comentou ele. Nestes pilares próximos, que sustentam a BR 290 na altura do quilômetro 103, os moradores fizeram marcações com grafite de onde as enchentes de setembro de 2023 e maio de 2024, a maior de todas, alcançaram. Outros pescadores aproveitam também a calmaria da água e a relativa limpeza dela para suas atividades.