Em maio, a cidade de Eldorado do Sul foi devastada pela enchente que atingiu 80% do município, afetando mais de 30 mil pessoas diretamente. Sete meses depois, os impactos da tragédia ainda são visíveis, especialmente no bairro Cidade Verde, onde muitos moradores tentam se reerguer, mas ainda vivem com o trauma e a incerteza de novos desastres.
Muitas casas seguem abandonadas, e as marcas deixadas pela água permanecem, não apenas nas paredes, mas na memória dos moradores, reforçando o medo de um futuro incerto.
Sentadas na frente de casa, as vizinhas Maria Elizabeth Lima e Lucimara Santos compartilham o sofrimento e o medo que ainda as acompanham.
Maria Elizabeth, que vive em Eldorado do Sul há 50 anos, recorda que já enfrentou diversas enchentes ao longo das décadas, mas nunca uma tão devastadora quanto a de maio, que a fez questionar se deveria continuar na cidade. Inicialmente, pensou em se mudar, mas por enquanto, decidiu tentar permanecer. Ela afirma que se vender ou alugar a sua casa não tem interesse em ficar em Eldorado, escolheria outro local.
Maria revelou que já comprou alguns móveis e que no primeiro sinal de chuva leva seus bens para longe. Mas destaca que ainda tem peças da sua casa que precisam ser reconstruídas. Ela afirma que não acredita que a situação em Eldorado do Sul vai mudar em um curto prazo de tempo.
Lucimara Santos também expressa o medo de um novo desastre e diz que quer sair da sua casa e ir para outro bairro. Ela ainda aguarda um parecer da Defesa Civil sobre a avaliação estrutural de sua residência, que determinará os danos causados.
Durante a tragédia, Lucimara deixou a sua casa com a família e define a situação como caótica. Ela lembra, com muita tristeza, dos momentos vividos, com o medo pela vida das crianças menores de dois anos e de ser perder dos familiares, além da dificuldade de encontrar abrigo.