Cidades

Moradores de Eldorado do Sul tentam reorganizar suas vidas

Município da Região Metropolitana está entre os mais devastados pelas chuvas de maio

Destruição e descartes por todas as ruas de Eldorado do Sul
Destruição e descartes por todas as ruas de Eldorado do Sul Foto : Camila Cunha / CP Memória

Em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, com o recuo das águas que inundaram e devastaram a cidade, uma das mais atingidas pela tragédia climática ocorrida no Estado, moradores tentam reorganizar suas vidas. Em meio a escombros e pilhas de dejetos diante de cada residência, as pessoas clamam por ajuda. Os dramas variam de intensidade.
Caroline Santiago, 28 anos, por exemplo, tem a voz embargada e o olhar angustiado. A operadora de caixa desempregada tenta encontrar apoio para a mãe, Neiva Teresinha Santiago da Silva, 61 anos, em estado vegetativo há oito meses, depois de sofrer o segundo AVC.
De acordo com Caroline, Neiva necessita de alimentação especial, de um valor que a família, que inclui um irmão de 35 anos, não consegue bancar. "Uma caixa da dieta enteral, com 12 unidades, custa em torno de R$ 500. A mãe precisa de três caixas por mês", diz. "Ontem, consegui quatro unidades", afirma, explicando que acrescenta leite para aumentar o rendimento das porções.
Além disso, Caroline relata que a família teria prazo até o próximo dia 6 para deixar o abrigo na qual foi instalada depois de perder a casa. Localizada no Beco João Batista Gonzato, no bairro Chácara, o imóvel de madeira, originalmente verde, se tornou marrom ao ser coberto por mais de dois metros de água e lama. Caroline garante haver solicitado socorro ao poder público. "Eles passam lá [no abrigo], mas ficam só na promessa", diz.

Numa rua próxima ao beco, Maria Regina da Rosa, 36 anos, vasculha uma pilha de resíduos sólidos encharcados e enlameados, junto com o filho de 12 anos, diante do que foi um estabelecimento de reparo de dispositivos eletrônicos. A dupla procura por controle de ar condicionado. "O aparelho está funcionando em casa, mas no gelado. Quero tentar passar para o quente", conta Maria, mostrando uma sacola com o material recolhido.
Até a última quinta-feira, dia 23, a cozinheira esteve acampada com o marido, três filhos e uma nora sobre a laje da casa tomada pela enchente. O grupo improvisou um telhado e conseguiu subir fogão, botijão de gás, mantimentos, louça e apetrechos de cozinha para a estrutura transformada em piso. Com o recuo das águas, se acomodaram no que restou da construção.