Moradores do bairro Estação, na cidade de Montenegro, no Vale do Caí, alegam descaso do poder público e ausência de investimentos especialmente na área de infraestrutura na localidade. Eles sofrem com esgoto correndo a céu aberto e mau cheiro porque, segundo eles, o local não conta com rede de tratamento de esgoto e saneamento básico. Morador há 24 anos do antigo loteamento da Petros, agora chamado de Bela Vista, o motorista Paulo Eduardo da Silva Cabral diz que a comunidade conta com sistema de fossa e sumidouro.
"Já pedimos uma solução para prefeitura, já acionamos o Ministério Público, denunciando crime ambiental e contra a saúde pública, mas até agora nada foi feito. É horrível conviver desta forma, com o esgoto correndo na rua, invadindo pátios e causando a proliferação de bichos peçonhentos. As pessoas transitam em meio aos dejetos", reclama o morador, reivindicando por canalização no bairro. O mais curioso, conforme Cabral, é que a prefeitura cobra no IPTU uma taxa de esgoto pluvial no valor de R$ 41,57, sendo que não existe tratamento.
A prefeitura de Montenegro informou que vem realizando sistematicamente obras de desobstrução das redes de esgoto da cidade. Esclareceu ainda que a tubulação é muito antiga e está mal dimensionada, que o solo é arenoso e a crescente movimentação de veículos produz trepidações que favorecem rupturas nos canos. Além disso, de acordo com o Executivo, desde junho do ano passado, a cidade registrou as três maiores enchentes da história e as enxurradas arrastaram muito entulho para dentro da rede. As demandas de manutenção cresceram enormemente.
Em relação ao problema relatado pelo morador do bairro Estação, algumas providências já foram adotadas no local, com a substituição de galerias e a posterior pavimentação de diversas ruas. A Administração Municipal fará uma nova vistoria para identificar a origem do problema relatado e definir as providências necessárias para a solução.
A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) informou que o aditivo de contrato entre a prefeitura de Montenegro e a Companhia já foi assinado e contempla, entre outros aspectos, a meta de oferecer acesso ao esgotamento sanitário para 90% da população até 2033. Este objetivo atende ao que está previsto no Marco Legal do Saneamento, instituído por lei federal. Com base nisso, equipes de engenharia da Corsan estão desenvolvendo os estudos para início de implantação do sistema de esgotamento sanitário no município. Os estudos deverão ser concluídos ainda neste ano. As obras devem começar assim que todos os projetos estiverem aprovados e o licenciamento protocolado.