Os moradores do bairro Hípica, na zona sul de Porto Alegre, ainda sentem os efeitos das chuvas e da passagem do ciclone extratropical. O acúmulo de água na rua Dorival Castilhos Machado deixa os habitantes ilhados. É preciso coragem para sair de casa e enfrentar o alagamento, que se estende por boa parte da via a partir do número 1000. Como numa parte da rua há uma rede pluvial, a água da chuva se mistura com o esgoto, oferecendo riscos de saúde à população. Cansados de buscar soluções junto à prefeitura, muitos moradores demonstram irritação por enfrentar um problema histórico agravado por conta do ciclone.
A doméstica Claise Fernandes Dias, que reside há mais de 40 anos no local, afirma que os alagamentos acontecem há décadas. “As crianças são obrigadas a sair nessa água. As pessoas estão revoltadas”, revela. Conforme Claise, até mesmo casas bem estruturadas sofrem com a invasão das águas em dias de chuva. “É sempre o mesmo problema, a mesma coisa”, reclama. Precavida com enchentes, ela improvisou uma estrutura de madeira na entrada da casa para impedir que a água invada o local. “A última vez que a água entrou foi por cima das camas. Tivemos que botar tudo fora”, recorda.
Além da água contaminada pelo esgoto, os moradores enfrentam a presença de roedores. “Aqui tem aqueles ratão grandão. Tenho que estar sempre com veneno de rato, porque eles entram pelo lado da casa. É perigoso, porque tem as crianças também”, completa, em referência aos netos que moram com ela. Ela explica que muitos habitantes estão inconformados com a falta de assistência da prefeitura. “Fizeram algumas obras perto daqui e isso piorou os alagamentos”, completa. Claise afirma que uma parte da área é considerada área de preservação ambiental.
Proprietário de uma pet shop, Rodrigo Carbone garante que os alagamentos já viraram rotina há muito tempo. “Há mais de 30 anos o pessoal da comunidade da rua Dorival Castilho Machado passa por isso. Toda vez que chove tem um volume muito expressivo de água e a rua alaga. Não existe por parte do poder público uma atuação de melhoria dentro dessa região aqui. As pessoas têm bastante dificuldades, tem bastante perdas em relação a móveis. É difícil a vida que eles levam na região. Tenho meu comércio aqui, mas não moro nessa localidade da rua, mas convivo com isso diariamente com o pessoal”, destaca.
Calçando botas de proteção, Carbone já está habituado a sair de casa com roupas de proteção nos períodos de precipitação. “Todas as vezes que chove tentamos ajudar da melhor maneira possível, mas infelizmente o poder público, nessa situação e principalmente nessa rua, é omisso”, completa. Ele reconhece que parte da área é considerada de preservação ambiental. Mas se é uma área de preservação, a prefeitura deveria agir mais rapidamente e severamente, porque existe esgoto poluindo o solo há muitos anos. Essa poluição da rede de esgoto sai dos loteamentos e condomínios”, ressalta, destacando ainda as perdas nos negócios.
Em nota, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informa que numa parte da rua há uma rede pluvial, que recebe manutenção periodicamente. “Porém, no outro lado tem a área de preservação permanente, com um açude no meio da vegetação. Quando chove, o açude extravasa, alagando o restante da rua”, completa a nota. O Dmae garante que uma equipe seria enviada ao local nesta sexta-feira para fazer uma limpeza que ajude no escoamento da água.