Cidades

Moradores do bairro Hípica seguem ilhados após passagem do ciclone extratropical em Porto Alegre

Alagamento na rua Dorival Castilhos Machado prejudica acesso da população

Moradores convivem com alagamentos há décadas na região
Moradores convivem com alagamentos há décadas na região Foto : Maria Eduarda Fortes

Os moradores do bairro Hípica, na zona sul de Porto Alegre, ainda sentem os efeitos das chuvas e da passagem do ciclone extratropical. O acúmulo de água na rua Dorival Castilhos Machado deixa os habitantes ilhados. É preciso coragem para sair de casa e enfrentar o alagamento, que se estende por boa parte da via a partir do número 1000. Como numa parte da rua há uma rede pluvial, a água da chuva se mistura com o esgoto, oferecendo riscos de saúde à população. Cansados de buscar soluções junto à prefeitura, muitos moradores demonstram irritação por enfrentar um problema histórico agravado por conta do ciclone.

A doméstica Claise Fernandes Dias, que reside há mais de 40 anos no local, afirma que os alagamentos acontecem há décadas. “As crianças são obrigadas a sair nessa água. As pessoas estão revoltadas”, revela. Conforme Claise, até mesmo casas bem estruturadas sofrem com a invasão das águas em dias de chuva. “É sempre o mesmo problema, a mesma coisa”, reclama. Precavida com enchentes, ela improvisou uma estrutura de madeira na entrada da casa para impedir que a água invada o local. “A última vez que a água entrou foi por cima das camas. Tivemos que botar tudo fora”, recorda.

Além da água contaminada pelo esgoto, os moradores enfrentam a presença de roedores. “Aqui tem aqueles ratão grandão. Tenho que estar sempre com veneno de rato, porque eles entram pelo lado da casa. É perigoso, porque tem as crianças também”, completa, em referência aos netos que moram com ela. Ela explica que muitos habitantes estão inconformados com a falta de assistência da prefeitura. “Fizeram algumas obras perto daqui e isso piorou os alagamentos”, completa. Claise afirma que uma parte da área é considerada área de preservação ambiental.

Proprietário de uma pet shop, Rodrigo Carbone garante que os alagamentos já viraram rotina há muito tempo. “Há mais de 30 anos o pessoal da comunidade da rua Dorival Castilho Machado passa por isso. Toda vez que chove tem um volume muito expressivo de água e a rua alaga. Não existe por parte do poder público uma atuação de melhoria dentro dessa região aqui. As pessoas têm bastante dificuldades, tem bastante perdas em relação a móveis. É difícil a vida que eles levam na região. Tenho meu comércio aqui, mas não moro nessa localidade da rua, mas convivo com isso diariamente com o pessoal”, destaca.

Calçando botas de proteção, Carbone já está habituado a sair de casa com roupas de proteção nos períodos de precipitação. “Todas as vezes que chove tentamos ajudar da melhor maneira possível, mas infelizmente o poder público, nessa situação e principalmente nessa rua, é omisso”, completa. Ele reconhece que parte da área é considerada de preservação ambiental. Mas se é uma área de preservação, a prefeitura deveria agir mais rapidamente e severamente, porque existe esgoto poluindo o solo há muitos anos. Essa poluição da rede de esgoto sai dos loteamentos e condomínios”, ressalta, destacando ainda as perdas nos negócios.

Em nota, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informa que numa parte da rua há uma rede pluvial, que recebe manutenção periodicamente. “Porém, no outro lado tem a área de preservação permanente, com um açude no meio da vegetação. Quando chove, o açude extravasa, alagando o restante da rua”, completa a nota. O Dmae garante que uma equipe seria enviada ao local nesta sexta-feira para fazer uma limpeza que ajude no escoamento da água.