Cidades

Moradores do bairro Ipanema, em Porto Alegre, questionam novo calçadão da orla e temem aumento das enchentes

Smamus nega que nova obra vai represar água do arroio Capivara, o principal da região

Moradores da rua Gávea, no bairo Ipanema, relatam frequentes devido ao transbordamento do Arroio Capivara durante chuvas intensas
Moradores da rua Gávea, no bairo Ipanema, relatam frequentes devido ao transbordamento do Arroio Capivara durante chuvas intensas Foto : Camila Cunha

As obras do novo calçadão da praia de Ipanema, na zona Sul de Porto Alegre, geram dúvidas em moradores da área, que dizem temer o avanço do arroio Capivara, potencial gerador de enchentes em ruas próximas a cada ocorrência de chuva forte. Na rua Gávea, por exemplo, onde o córrego passa mais próxima aos terrenos das casas na direção do Guaíba, habitantes dizem acreditar que o fluxo da água poderá ser interrompido com o aumento da mureta, hoje com 50 centímetros de altura, em mais 45 centímetros.

“Também não sabemos se haverá acessibilidade adequada. Antes, havia rampas e escadas para o pessoal descer. Agora, não sei como é”, diz o morador Marco Aurélio Azevedo, que vive na rua Gávea. O calçadão em si é uma obra executada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), com contrapartida da empresa Multiplan, e se estende por dois quilômetros ao longo da avenida Guaíba.

A ordem de início para os trabalhos foi assinada no começo de outubro, em ato com a presença do titular da pasta, Germano Bremm. O investimento é de cerca de R$ 10 milhões, e o prazo previsto de conclusão é para junho de 2025. Outro habitante da rua, o aposentado Luis Eduardo Furtado, comenta que a água da enchente de maio alcançou perto de 1,50 metro, invadindo as casas, e que a Gávea possui largos encanamentos abaixo que eventualmente têm obstruções, mas que os consertos são feitos, porém o acúmulo de água com as cheias é algo relativamente histórico.

A via tem, ainda, diversas placas de aluga-se e vende-se nos muros e grades das residências. “Alguns moradores saíram, enquanto outros permaneceram. A impressão é a de que não somos ouvidos”, salientou ele, acrescentando que, quando o arroio Capivara transborda, de maneira geral afeta primeiramente a avenida Tramandaí, e depois as ruas perpendiculares. O córrego nasce na região do bairro Belém Velho e percorre áreas do Campo Novo e Cavalhada, até desaguar na praia de Ipanema, passando, na maioria de seu curso, por detrás das casas.

Procurada, a Smamus disse que a recuperação do calçadão da orla de Ipanema “não irá alterar o curso do arroio Capivara”, que “continuará no seu curso natural, desaguando no Guaíba”. “A Smamus informa ainda que o projeto de revitalização mais resistente da orla prevê a ampliação da acessibilidade, incluindo rampas para possibilitar que pessoas com mobilidade reduzida consigam acessar a faixa de areia”, acrescentou a secretaria.