Cidades

Moradores do bairro Sarandi reclamam de contas de água com valores elevados

Responsável pelo abastecimento em Porto Alegre, Dmae diz que se trata de ajustes no serviço de leitura

Sheila Dreissig Velar afirma que ainda não conseguiu explicação para o valor cobrado
Sheila Dreissig Velar afirma que ainda não conseguiu explicação para o valor cobrado Foto : Fabiano do Amaral

Consumidores do bairro Sarandi, na zona Norte de Porto Alegre, foram surpreendidos pelos valores cobrados pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) na despedida do ano. Muitas das faturas superam os R$ 1.000,00.

Em uma das mãos, a dona de casa Sheila Dreissig Velar, 49 anos, agita a fatura que vence no próximo dia 10. O documento indica um consumo de 91 metros cúbicos, mais de 15 vezes o utilizado mensalmente por ela e pelo marido, o equivalente a 91 mil litros de água.

“É uma conta de R$ 1.209,16. Não tem como pagar. Desde a enchente eu venho pagando uns R$ 52,00. No mês que consumi mais foi julho, só que ainda assim foram só 16 m3”, relata.

Sheila é moradora da rua Pandiá Calógeras e não é a única a sentir o peso no bolso. As vizinhas Otília Freitas Machado, 64, e Filomena Magne, 77, também receberam cobranças acima dos R$ 1.000,00.

“Moramos só eu e meu esposo (Roque Magne, 80 anos), que é doente. Pagamos por volta de R$ 73,00, R$ 78,00 quando molho as plantas”, conta Filomena.

Já a dona Otília, que possui duas residências no pátio – dela e da filha –, paga mensalmente na faixa dos R$ 200,00. Agora vai ter que desembolsar R$ 1.630,00, valor que ela compara ao IPTU anual que desembolsa.

A dona Filomena recebeu conta de R$ 1.000,00 | Foto: Fabiano do Amaral

Um grupo de moradores do bairro Sarandi afirma ter estado com um representante do DMAE ainda no mês passado, para entender as cobranças. Mas Sheila revela que não obtiveram explicação, tampouco solução.

“A gente levou as contas, o cara do DMAE estava na Associação de Moradores, e ele disse para gente esperar o ano virar. E por enquanto tá assim, sem saber como fica”, lamenta Sheila.

“Não tenho com quem deixar meu marido para ir no centro (agência do DMAE) para reclamar. Também não sei como mexer na internet”, avisa Filomena.

O que diz a prefeitura

O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informou em nota que a cobrança de tarifa voltou a ser feita por meio de leitura dos hidrômetros em 1º de novembro, quando assumiu a empresa que venceu a nova licitação feita pelo órgão. A concorrência pública se deu após um período de quase dois anos de inconformidades em relação às antigas prestadoras do serviço, que tiveram vínculo rescindido.

O texto destaca que “durante todo este período, quando não foi possível ser cobrado o valor consumido e/ou houve erro de leitura, o Departamento emitiu a tarifa equivalente à média do consumo do hidrômetro. A medida teve como objetivo, justamente, evitar a cobrança acima do normal na retomada. Ainda assim, a conta de dezembro trouxe os valores que estavam represados - em alguns casos, desde o ano passado”.

A orientação do DMAE é que os consumidores que tiverem dúvidas sobre o valor cobrado não devem pagar as faturas. Neste caso é necessário realizar a contestação por meio dos canais listados em https://prefeitura.poa.br/dmae/atendimento. Caso haja confirmação de que não houve cobrança em excesso, e sim apenas o reajuste do período tarifado por média, o cliente poderá aderir ao parcelamento em até 60 vezes, sendo até 12 parcelas sem juros.

Sobre os casos em específicos relatados nesta reportagem, a assessoria de comunicação do Departamento declarou que não realiza análise de contas por meio da imprensa, reforçando que os consumidores devem buscar os canais de atendimento oficiais.