Cidades

Moradores do Jardim Itu, em Porto Alegre, convivem com lixo e alta nos casos de dengue

Descarte irregular da população próximo a arroio preocupa em meio a epidemia da doença

Bairro Jardim Itu acumula casos de dengue | Pontos de descarte irregular de lixo nas praças e parques do bairro, que facilitam a proliferação do mosquito Aedes aegypti, preocupam os moradores
Bairro Jardim Itu acumula casos de dengue | Pontos de descarte irregular de lixo nas praças e parques do bairro, que facilitam a proliferação do mosquito Aedes aegypti, preocupam os moradores Foto : Camila Cunha

A dengue continua assombrando Porto Alegre, com mais de 71% das armadilhas vistoriadas na Capital na metade de abril contendo fêmeas do mosquito Aedes aegypti, de acordo com a plataforma Onde Está o Aedes, da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Porto Alegre já tem três mortes confirmadas pela doença e mais de 5,4 mil infecções contabilizadas, com a maior parte delas no distrito sanitário do Eixo Baltazar, com mais de 1,4 mil.

O bairro Jardim Itu, com diversas praças, é uma das áreas mais comprometidas pela arbovirose, e seus moradores se dizem assustados. “Eu mesmo tive dengue e fiquei duas semanas de cama. Fui no posto de saúde, fiz o teste e o médico me receitou alguns remédios, mas consegui me recuperar. Ainda estou tomando alguns medicamentos”, contou o aposentado Alzemiro Alves, morador do entorno do Parque Brigada Militar. “A gente cuida para não colocar o lixo na rua de maneira errada, porém alguns outros não fazem isso”, reclama.

O eletrotécnico Adolfo Obiedo é mais incisivo. Ele mostrou um grupo de vizinhos no WhatsApp onde há diversos relatos de infecções pela dengue, além de orientações supostamente de funcionários dos postos de saúde locais. “E a culpa disso tudo não é do Estado ou da Prefeitura. É da população. Falta consciência nas pessoas”, comentou ele, que relatou não ter tido dengue, por pura sorte, já que, segundo ele, “metade das pessoas daqui já tiveram a doença”.

Ele disse ainda saber de uma montanha de entulhos descartada na noite de sábado na margem do arroio Passo da Mangueira, ao lado da avenida Prof. Paula Soares, não muito distante do parque, e na diagonal da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Itália. Nesta margem, havia inclusive um sofá inteiro deixado ao lado da via, além de lixo eletrônico, altamente contaminante. “Até tem gente que acaba largando lixo dentro do arroio”, prosseguiu Obiedo.

Em um dos extremos do parque, junto a rua Heitor Manganelli, havia mais lixo deixado em meio ao matagal, ainda que o recolhimento aconteça com frequência, disseram também os moradores. Em novembro do ano passado, durante a Conferência Mundial do Clima (COP29), no Azerbaijão, o secretário municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade, Germano Bremm, assinou termo de cooperação técnica entre a Prefeitura e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), de R$ 2,5 milhões de recursos a fundo perdido.

O investimento busca contratar empresa para desenvolver soluções de drenagem para o Passo da Mangueira e o arroio Passo das Pedras, ambos integrantes da sub-bacia da parte superior da bacia do Passo das Pedras, em um prazo de nove meses a partir da contratação. O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) em nota, disse que programou uma vistoria no local para esta segunda-feira.

Confira a nota completa do DMLU

A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb), por meio do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), informa que a rua Heitor Manganelli, no bairro Jardim Itu, é atendida periodicamente pelo Setor Norte do Departamento. Devido ao acúmulo de resíduos apontado pela reportagem, foi programada uma vistoria no endereço para esta segunda-feira, 28. Não há foco crônico de lixo na via, mas pela presença de pessoas em situação de rua na área, o serviço é prestado com sensibilidade, pela vulnerabilidade existente. O DMLU faz todos os esforços para a manutenção da limpeza urbana. O sistema 156 segue à disposição para o registro de denúncias ou solicitações que necessitem de nossos serviços.