A falta de água tem sido uma constante em várias casas do Jardim Ypu, zona Leste de Porto Alegre. Endossam a reclamação o analista de sistemas Giordano Bruno Poter e seu vizinho, o técnico em telecomunicações, Douglas Rodrigues. Ambos vivem na rua Hugo Livi, junto a um condomínio onde, em quase todo começo de tarde, o abastecimento pára. “Começou depois das enchentes, há cerca de dois a três meses, e, desde então, a situação tem sido semanal”, afirmou ele.
O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) disse que não recebeu nenhuma reclamação relacionada ao assunto. “É complicado, porque não há aviso, então a gente não consegue fazer um planejamento. Às vezes não se consegue tomar um banho ou lavar uma louça. Ficamos à mercê desta falta de distribuição. Afeta o bairro inteiro”, comenta. Ainda conforme ele, há vizinhos que têm caixa d’água, por isso, não sentem tanto o problema. Quando a água volta, os moradores contam que enchem baldes e outros recipientes, como forma de armazenamento.
Poter também afirmou que fez uma postagem em um fórum na Internet dedicado a assuntos de Porto Alegre, buscando uma solução. “Estamos pensando em protocolar alguma coisa no Ministério Público. Nos canais habituais, a coisa não se resolve”, disse ele. A experiência de Rodrigues não é diferente. Ele contou que sua esposa trabalha na área da saúde, por isso precisa de água para a higiene pessoal completa dela.
Moradores do bairro Jardim Ypu sofrem com falta de água semanal
“Já estamos meio programados pelos horários em que não há água, e todos os dias precisamos pensar o que vamos fazer para, pelo menos, poder limpar a casa e tomar um banho. É só chegar ali perto do meio-dia, em que tu vai preparar um almoço, e a água está fraca. Precisamos dela para tudo, e torcendo para que volte”, comentou o técnico. Apesar do problema, Rodrigues disse não ter contatado o Dmae para verificar a situação, ao contrário do vizinho.
Mas reforçou não crer nas respostas do órgão público de que o problema teria relação com obras, como na Manoel Elias. “Quando havia as reformas no asfalto, não faltava água. Depois que ficou pronto, sim”, comentou o morador, se referindo à recuperação asfáltica de 2,7 quilômetros da avenida, uma das principais da zona Leste da Capital, entre a Protásio Alves e a Baltazar de Oliveira Garcia, feita em 2023.
Para driblar o problema, o técnico disse também ter comprado bombonas de água de 20 litros, que mantém cheias para eventualidades. “Busco nos prevenir”, disse ele. O Dmae reforçou que as Estações de Bombeamento de Água Tratada (Ebats) Manoel Elias 2 e 3 tiveram paradas para manutenção do último sábado até segunda-feira, e que o sistema estava em fase de normalização. Negou, no entanto, ter recebido relatos de falta de água persistente desta região, reforçando ainda que os registros devem ser feitos via 156. O prazo de resolução de um protocolo do tipo, disse o órgão, é de um dia.