Cidades

Moradores e empresário da zona Norte de Porto Alegre ainda enfrentam desafios significativos para se reconstruir

O medo de uma nova enchente está latente na comunidade

Dono de armazém usou o valor do auxílio federal para comprar material para construir um muro
Dono de armazém usou o valor do auxílio federal para comprar material para construir um muro Foto : Pedro Piegas

Mais de três meses após a enchente que devastou Porto Alegre, moradores e empresários da zona Norte ainda enfrentam desafios significativos para se reconstruir. Nos bairros próximos à Arena do Grêmio, as marcas da inundação são visíveis nos muros das casas e comércios, e muitos veículos danificados permanecem parados há meses devido ao custo de reparação, que se aproxima do valor dos próprios carros.

Apesar das dificuldades, residentes e empresários tentam seguir em frente, sustentados pela fé e esperança de que um novo desastre não ocorra antes que a reconstrução seja concluída.

João Brasil, de 63 anos, vive no bairro Navegantes há mais de três décadas e é proprietário de um armazém que foi completamente destruído e está fechado desde maio. Ele usou o valor do auxílio federal para comprar material para construir um muro. A mão de obra está por sua conta, como forma de fazer mais uma economia, pois ainda não tem previsão de reabrir o estabelecimento que é um apoio financeiro para a sua família. Brasil revela que a única razão pela qual não deixou o bairro é a insistência de sua família, que acredita na possibilidade de recomeço.

"Eu sabia que um dia enfrentaríamos inundações aqui, pois é uma área mais baixa. Os esgotos são mal projetados e as bombas são muito antigas, mas nunca imaginei que a água chegaria a dois metros", diz João Brasil.

Outro morador da zona Norte que tenta recomeçar é Celso Vergara. Ele é proprietário de uma lancheria na Vila Farrapos e diz que esse período de reconstrução tem sido desafiador. Recentemente, ele reabriu o estabelecimento, mas atualmente só oferece bebidas, pois o local ainda não está totalmente adaptado para a preparação dos lanches. Vergara espera que, em breve, a rotina volte ao normal em um novo cenário.

"Os moradores do bairro estão desanimados e assustados. Eu mesmo passava as noites acordado com medo da enchente. Muitas empresas grandes estão fechando ou saindo. O movimento ainda está fraco, mas precisamos ter fé", afirma Celso Vergara”, contando que aguarda o retorno dos jogos na Arena para que o movimento no bairro aumente e dê uma impulsionada nas vendas.