Cidades

Moradores estão preocupados com desabamento de casas em arroio de Eldorado do Sul

Parte das casas já havia sido afetadas pelas enchentes de maio

Casas do bairro Picada, em Eldorado do Sul, estão desmoronando no Arroio Pintada
Casas do bairro Picada, em Eldorado do Sul, estão desmoronando no Arroio Pintada Foto : Camila Cunha

Moradores da rua Martinho Poeta, bairro Picada, à beira do Arroio Pintada, no município de Eldorado do Sul, estão preocupados com o desabamento de casas inteiras no barranco que ladeia o curso d’água. A situação iniciou há alguns dias e provocou, ainda que tardiamente, de acordo com eles, a interdição de residências. Parte das casas já havia sido afetadas pelas enchentes de maio. Pátios inteiros estão sendo consumidos pela água, e construções tais como piscinas ameaçam serem levadas.

O chão também é instável. Um dos atingidos, o jogador profissional de futebol Marcus Leal Silveira, que tem dois filhos, um deles com transtorno do espectro autista (TEA) e outro um bebê de apenas quatro meses, e cuja casa teve um muro de contenção e parte dos fundos do pátio engolidas pelas águas, atribui a responsabilidade pelo problema a um vazamento de água, não tratado a tempo pela Corsan, mesmo com diversos protocolos abertos.

Todos estão agora morando na casa de parentes na ilha da Pintada, em Porto Alegre. “No dia 9, eu e minha esposa estávamos entrando no terreno para guardar o carro, quando notamos uma umidade muito grande no nosso terreno. Cuidamos diariamente, e ela se estendeu até a casa dos vizinhos. No dia seguinte, começaram a surgir rachaduras, e foi quando já abrimos protocolos com a Corsan”, relatou ele.

A família começou, então, a medi-las manualmente. No dia 12, durante uma pescaria, familiares constataram que a água corria por baixo do chão, situação causada por um vazamento na rede, segundo Silveira. “Abrimos mais protocolos e, em todos eles, a Corsan informou o prazo de 48 horas até uma visita, mas nada aconteceu”. Em quatro dias, conforme o morador, a rachadura aumentou em nove vezes, de três para 27 centímetros, e o terreno mesmo cedeu enquanto a família estava fora.

A Corsan somente veio no dia 14, a partir da solicitação de um vereador de Eldorado do Sul. A equipe fez a abertura de um buraco na calçada a fim de conter o vazamento. Com a água parando de escorrer, a erosão cessou. Questionado se o local chegou a ser interditado, ele disse que foram postas fitas demarcadoras, porém havia a necessidade de ingressar a todo momento na área. A prefeita Juliana Carvalho também teria estado no local e prometido que engenheiros estariam na rua afetada para uma avaliação até o final da tarde de quarta, porém a promessa não foi cumprida.

A equipe de engenharia apareceu no local somente na manhã de quinta, junto a outros órgãos da Prefeitura, como Defesa Civil Municipal, que havia estado um dia antes e depois retornou, além da Brigada Militar, secretarias de Habitação, Planejamento, Meio Ambiente, Assistência Social e a própria Corsan. “Ficamos aguardando. Estar aqui o dia todo é cansativo, mas vamos esperar para ver o que vão falar dos terrenos. Quanto aos prejuízos com a casa e o terreno, Silveira comentou que, na visão dele, a empresa parece estar comprometida em resolver a situação. “Só que eles precisarão assumir a responsabilidade se for deles”.

O que dizem Prefeitura de Eldorado do Sul e Corsan

O secretário de Habitação de Eldorado do Sul, Maurício Fuchs, que esteve no local, disse que o município está fazendo uma força-tarefa para resolver a situação e percorrendo casa a casa para avaliá-la, porém somente após laudos técnicos é possível atribuir responsabilidades. Segundo ele, o município irá se posicionar em nota ainda nesta quinta-feira, porém adiantou que as nove famílias afetadas, das quais três tiveram as residências desabadas, terão garantido o aluguel social.

“Não sabemos se o que ocorreu foi por conta da Corsan, da enchente, mas podem ser diversos fatores. Como esta é uma área de preservação ambiental, todos os levantamentos técnicos estão sendo feitos em conjunto neste momento”, afirmou Fuchs. Já a Corsan informou, por meio de nota, que “fez um detalhado estudo da situação na tarde de terça-feira”, e localizou “um vazamento de pequenas proporções em um canal”, dizendo ainda que “segundo os especialistas, este vazamento não teria capacidade de provocar a erosão do terreno e o desmoronamento de casas. A Corsan continua monitorando a situação e se coloca à disposição da prefeitura para auxiliar no que for preciso”.