Morreu, aos 88 anos, o fotojornalista Evandro Teixeira, um dos principais nomes que ajudou a escancarar a violência policial durante a ditadura no país. Ele estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea, no Rio de Janeiro, onde veio a óbito nesta segunda-feira. A morte foi causada pela falência múltipla de órgãos em decorrência de complicações da pneumonia.
Entre os momentos marcantes de sua carreira figuram a cobertura da chegada do general Castello Branco ao Forte de Copacabana durante o golpe militar de 1964, a repressão ao movimento estudantil no Rio de Janeiro, em 1968, e a queda do governo Salvador Allende, no Chile, em 1973; assim como a cobertura de diversos Jogos Olímpicos e Copas do Mundo.
Evandro deixa um acervo de mais de 150 mil fotos, com imagens que fazem parte da história do Brasil.
Em nota oficial, o presidente Lula prestou sua homenagem ao fotojornalista. “O Brasil perde hoje Evandro Teixeira, referência no fotojornalismo do nosso país e do mundo”, escreveu.
Trajetória
Teixeira nasceu na cidade baiana de Santa Inês (ou em Irajuba, segundo outras versões), em 1935, iniciando sua carreira jornalística em 1958, em O Diário de Notícias, em Salvador, transferindo-se depois para o Diário da Noite (do grupo dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand), na cidade do Rio de Janeiro, onde se radicou e morou até sua morte.
Se tornou uma figura mítica do fotojornalismo nacional em sua passagem pelo Jornal do Brasil. Trabalhou no JB durante 47 anos, deixando o jornal apenas em 2010, quando este interrompeu a circulação impressa para se concentrar apenas na edição on-line.
Extremamente versátil, destacou-se em diversos campos da cobertura jornalística, desde os temas políticos até a fotografia de esporte.
Publicou três livros: Fotojornalismo (1983); Canudos 100 anos (1997); e 68 destinos: Passeata dos 100 mil (2008), sobre integrantes da celebrada manifestação de protesto à Ditadura Militar, que Evandro fotografou quatro décadas mais tarde.