Nícolas Otíllio de Lima Pinto, de 30 anos, conduzia a carreta envolvida no acidente com a van que matou nove pessoas, entre elas sete atletas do projeto Remar Para o Futuro, o motorista Ricardo Leal Cunha e o treinador da equipe Oguener Tissot. Por meio de sua defesa, ele falou que está muito abalado com o que ocorreu na noite do último domingo, na BR 376, próximo a Guaratuba, no Paraná. Pinto está na casa de familiares na zona rural de Pelotas. O advogado que o representa Richard Noguera confirmou que o motorista está muito fragilizado e emocionado. “Houve uma falha mecânica que será corroborada pela investigação”, relatou.
Noguera contou que o motorista saiu de Santana do Livramento, conduzindo a carreta carregada até o Porto de Santos, onde descarregou e aguardou uma semana por uma nova carga para retornar. O destino seria a Argentina. “O dono do caminhão é de Rio Grande e o Nícolas dirige caminhão há muitos anos, ou seja, não é inexperiente, apenas a habilitação para conduzir este tipo de carreta é datada de dezembro de 2023”, confirmou.
Noguera conta que o motorista é casado e tem filhos ainda crianças que também estão abalados com tudo. “Após o acidente ele fez teste de alcoolemia que deu negativo e também disse as autoridades que poderia fazer exame toxicológico, ou seja, não estava bêbado nem drogado”, afirmou
O advogado observa que apesar do tempo ruim, segundo Pinto, o que contribuiu para o acidente foi o problema na redução das marchas. “Não funcionou na hora e com isto ele ficou sem freio. A família toda segue transtornada e com o passar dos dias seguem com o impacto da tragédia”, relata. Para tentar o mínimo de recuperação emocional a família e o motorista devem procurar ajuda em posto de saúde. A defesa segue acompanhando o andamento do inquérito. “Ainda não tive acesso ao depoimento dos mecânicos que consertaram o caminhão horas antes do acidente. Quem forneceu os mecânicos foi o dono do caminhão que é de Rio Grande, ou seja, o Nícolas nem os escolheu. Conforme o combinado, ele ligou para o proprietário que os indicou”, confirmou. Na viagem de ida até Santos, o caminhão não apresentou problemas. “Nas redes sociais muitas pessoas o culpam pelo acidente, e não vamos rebater. Temos total respeito pelas vítimas e seus familiares e vamos confiar que a investigação vai corroborar que a falha foi mecânica e não humana”, finaliza.