Os municipários de Porto Alegre iniciaram na manhã desta terça-feira a greve por uma extensa lista de reivindicações. Os servidores do município se reuniram a partir das 7h em frente ao prédio administrativo do Executivo, na Siqueira Campos, munidos de adereços, instrumentos sonoros e faixas para cobrar soluções para a falta de reposição da inflação nos salários e compromissos da negociação de 2023 que ainda não foram cumpridos.
Além disso, a categoria exige o pagamento das progressões e a parcela autônoma para os básicos abaixo do salário mínimo nacional. Questões como a qualidade da oferta de serviço para a população e a transferência para a iniciativa privada também estão entre as reivindicações da categoria. Os diretores do sindicato alegam ainda “sucessivas datas-bases não respeitadas desde o governo do ex-prefeito Nelson Marchezan”. Segundo a categoria, em 2024 o prefeito Sebastião Melo também desrespeitou a Constituição Federal e não fez a revisão dos salários e do vale-alimentação pelo índice da inflação.
Às 10h, o grupo fez uma caminhada até o Centro Administrativo Municipal (CAM) para realizar um protesto. Por volta do meio-dia, o Secretário-Geral de Governo, André Coronel, se reuniu novamente com o comando de greve ligado ao Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) para uma nova reunião.
Municipários de Porto Alegre começam a greve por reposição salarial
“Recebemos há pouco a comissão do Simpa no Centro Administrativo Municipal, junto com alguns deputados e vereadores que os acompanhavam. Continuamos mais uma reunião de diálogo, de construção. Fomos comunicados pelo sindicato que amanhã às 15h30min haverá uma nova Assembleia Geral de avaliação do movimento e nós, dentro do possível, se pudermos ainda até amanhã às 15h30min, vamos chamá-los para uma nova rodada de negociação. Então, estamos fazendo avaliações internas, mas a ideia é a gente continuar a negociação”, afirmou o secretário.
Os municipários seguem a programação previamente marcada. Durante a tarde ocorrerá uma vigília em frente ao CAM. A partir das 16h, ocorrerão visitas aos locais de trabalho, ação que se repetirá na manhã de quinta-feira. Às 10h, eles voltam para o Centro Administrativo para nova manifestação. Na tarde, ocorrerá uma caminhada do Paço Municipal até a assembleia, que ocorrerá na rua Barros Cassal, 220, a partir das 15h30min.
Confira a nota oficial da prefeitura sobre a greve
“A prefeitura reitera a disposição para dar continuidade às negociações com o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa). Nas últimas semanas, o governo esteve em três reuniões com representantes da diretoria do sindicato e reafirmou o compromisso com o diálogo, a transparência e em buscar soluções viáveis para as demandas apresentadas dentro da realidade de um município impactado por muitas dificuldades orçamentárias, decorrentes da enchente de maio de 2024.
A administração municipal também ressalta que os índices da defasagem inflacionária apresentados pelo sindicato não correspondem ao período da atual gestão. Entre 2022 e 2023, o Executivo concedeu um reajuste salarial de 15,85% e aumentou em 35% o vale-alimentação. Em 2021, durante a pandemia, a concessão de reajustes foi impossibilitada pela Lei Federal 173/2020. Em 2024, a prefeitura repôs em 4,62% o vale-alimentação.
Além disso, a prefeitura propôs recentemente um complemento remuneratório para os servidores que recebem até um salário mínimo básico, com pagamento retroativo a janeiro de 2024. O projeto de lei que viabiliza essa medida já está em tramitação na Câmara Municipal.
Em relação aos servidores que aderirem à paralisação a partir desta terça-feira, 01º de abril, todas as secretarias foram orientadas a cortar o ponto daqueles que se ausentarem neste dia, em consonância com entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).”