Daniela Rodrigues, residente há mais de quatro décadas na zona Sul de Porto Alegre, assim como a sua família, jamais esperou enfrentar uma enchente como a de maio deste ano. Ela revelou que chegou a levantar cerca de 20 centímetros os móveis da residência, mesmo não acreditando na possibilidade da água entrar em casa, mas a sua atitude não surtiu muito efeito. A água alcançou mais de 80 centímetros dentro da residência, localizada no bairro Guarujá, e destruiu boa parte dos móveis que ainda estão sendo retirados do local.
"Nunca aconteceu nada parecido", disse Daniela, relembrando apenas as vias alagadas em episódios de chuva anteriores. Ela contou que a água subiu muito rápido e que só percebeu a gravidade quando a água começou a se acumular. "Às oito da manhã, minha filha me acordou avisando que a água já beirava o portão", recordou. Foi quando ela decidiu sair de casa levando o mínimo de pertences possível e seus gatos.
Daniela lembrou que a sua filha voltou, durante a enchente, para buscar alguns pertences e registrou a geladeira virada, devido a força da água que veio tanto com a elevação do nível do Guaíba quanto pelos bueiros da rua. "Perdemos tudo. Agora estou tentando comprar móveis novos, mas até isso tem sido difícil", disse explicando que de acordo com a loja, não há possibilidade de entrega para o seu endereço.
Agora, as previsões de chuva trazem lembranças que ela e a família gostariam de esquecer. “Não tem mais essa história de dormir tranquila com chuva. A chuva não é mais um elemento que vai te tranquilizar e que vai te trazer um sono aconchegante”.
Além do medo de uma nova enchente, Daniela expressou profunda decepção com a resposta das autoridades. Para ela, a falta de ação imediata e eficaz foi evidente. Ela clama por uma resposta mais enérgica e planejada das autoridades municipais, incluindo a limpeza e manutenção das bocas de lobo e ações preventivas mais robustas.
“Foi uma falta de ação, a gente esperava estar mais bem amparados. Esperávamos uma atitude mais responsável, mais rápida do poder público e não teve. E isso me deixa com a sensação de abandono”, lamentou, destacando que em outro recente episódio de chuva, a via ficou alagada devido a falta de manutenção dos sistema de drenagem.
De acordo com o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), a limpeza por hidrojateamento e sucção nas redes de esgoto é permanente e o serviço foi ampliado em razão das enchentes. “Foram contratados quatro caminhões combinados, com alta sucção, para reforçar as equipes que já atuavam na cidade. Esses veículos atuam com foco específico nas áreas que foram afetadas pela cheia do Guaíba. O Dmae trabalha, também, para viabilizar a contratação de 20 hidrojatos combinados com alta sucção, dentro do processo emergencial de recuperação da cidade. O reforço será mantido até o esgotamento da demanda”, afirmou o órgão.