O Núcleo Médico Empreendedor do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) promoveu nesta quinta-feira, uma live online gratuita para discutir as estratégias financeiras frente à recuperação do estado e o retorno ao crescimento econômico.
A transmissão, que integra o Hipocast Finanças — um podcast semanal do Simers —, abordou o tema "Catástrofe climática no RS: como isso afeta suas finanças" e contou com a participação do mastologista e investidor profissional Guilherme Cecin, sócio da Saron Investments, e do reumatologista e criador do podcast Consultório Financeiro, Rodrigo Spohr.
A abertura do evento destacou a gravidade do tema. “É um tema que não gostaríamos de estar falando. Ninguém esperava a magnitude desse desastre”, afirmou Cecin. Ele comparou a situação atual a um “cisne negro” — um evento imprevisível com consequências devastadoras. Cecin também mencionou o fechamento do aeroporto, que representa uma perda diária estimada entre 0,5 e 0,8 bilhões, sublinhando que essa é a maior catástrofe econômica já registrada no Brasil.
Os especialistas salientaram o impacto massivo na economia, afetando cerca de 10 milhões de pessoas direta ou indiretamente. “O Rio Grande do Sul tem um impacto de 6% do PIB brasileiro e, enquanto estávamos crescendo em torno de 3,5%, agora estimamos uma retração de 2%”, explicou Cecin. Ele ressaltou a necessidade de intervenção governamental para a reconstrução, estimada em pelo menos meio trilhão de reais.
Rodrigo Spohr complementou a discussão ao apontar que, além das perdas imediatas, é crucial pensar em soluções a longo prazo. “Agora falamos de todo um impacto econômico”, disse, referindo-se à magnitude da destruição que afetou consultórios médicos e estabelecimentos no Estado.
Cecin enfatizou a importância de uma abordagem financeira conservadora neste período de incertezas. “Primeira coisa é olhar sua estrutura e custo de vida e não entrar em dívidas”, aconselhou. Spohr concordou, destacando a necessidade de readequar gastos com base na renda atual. “O mais importante é entender o que está ganhando agora e readequar os gastos”.
A live também abordou a questão das dívidas, com Cecin alertando sobre os efeitos negativos de comprometer a receita futura. Ele sugeriu que médicos em situação financeira precária avaliem a possibilidade de utilizar coworkings ou locar espaços conjuntos para reduzir custos.
Por fim, os especialistas reforçaram a importância de manter uma reserva de emergência e a necessidade de renegociar dívidas. “O grande problema do Brasil é a grande inadimplência, e é por isso que os juros são tão altos”, explicou Cecin. Spohr acrescentou que várias dívidas podem ser renegociadas também. “E imagino que teremos mais renegociações pela frente, dado o momento do estado”, disse.
A live foi uma preparação para o curso virtual com o mesmo tema, agendado para o dia 30 de julho, das 19h às 22h, e também gratuito. Mais informações estão disponíveis no site do Simers.