A prefeitura de Porto Alegre divulgou nesta terça-feira que a Unidade de Saúde localizada na Ilha dos Marinheiros será demolida devido aos danos causados pela enchente. A decisão foi tomada após a apresentação de um laudo técnico feito por engenheiros civis da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura.
Com o local interditado, o atendimento está sendo realizado em uma carreta de saúde fixada no pátio da Escola Estadual Alvarenga Peixoto, com horários de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Outras duas unidades, localizadas na Ilha do Pavão e Ilha da Pintada, oferecem atendimentos médicos, de enfermagem e vacinação.
A diretora de atenção primária à saúde do município, Vânia Frantz comentou que o atendimento atual gira entorno de 100 pessoas por dia, um número menor do que o realizado antes da enchente. Ela observa que essa redução é compreendida, pois nem todos os moradores retornaram às suas residências.
Como uma solução, após a demolição do prédio, Vânia informou que está sendo avaliada a possibilidade de instalação de uma “Unidade Resiliente”. Unidade móvel fixada em um local e que possam ser removidas em caso de novas situações de cheia ou alagamentos.
Nelson, de 51 anos, é morador da Ilha das Flores e atualmente vive em uma barraca às margens da BR 290. Após a enchente de maio, ele começou a colaborar com entidades voluntárias na região, mas agora está sozinho. Seus vizinhos abandonaram as barracas devido à insegurança ou porque retornaram às suas residências ou desistiram de permanecer no arquipélago.
A casa de Nelson foi destruída pela enchente e é considerada inabitável pela avaliação municipal. Ele afirma que não tem para onde ir e não recebeu os auxílios destinados às vítimas. Desta forma, Nelson planeja retornar para a sua residência assim que conseguir lidar com os danos.
Para viver, Nelson trabalha em várias frentes. Como mecânico, motorista, compra e venda de carros e revela que o prejuízo causado pela enchente equivale ao lucro dos últimos 10 anos de trabalho. Ele destaca que não tem condições de simplesmente deixar a região e pagar aluguel em outro local.
Descrente nas soluções governamentais, acredita que a recuperação da região do arquipélago levará anos. Critica a lentidão das autoridades, a falta de recursos e a ausência de medidas eficazes para o problema das enchentes. Nelson aponta a falta de limpeza dos rios e o suporte insuficiente aos afetados como fatores que prolongam e agravam a situação dos moradores.
Mesmo com a casa destruída, o terreno alagado, e a falta de assistência, Nelson mantém contato com suas filhas, de 9 e 15 anos, e ajuda na rotina escolar. Todas as manhãs, a mãe das crianças, que também sofre os efeitos da enchente em Canoas, leva a filha mais nova até a barraca e Nelson encaminha para a escola, no período da tarde.