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“Não pretendo me comparar ao Paixão Côrtes”, diz Rene Barbachan, pioneiro do Acampamento Farroupilha de Porto Alegre

Primeiro a acampar no Parque Harmonia em 1985, dois anos antes do lançamento oficial do evento, tradicionalista e assador reflete sobre começo e novas gerações

Barbachan durante a Expointer deste ano, evento em que também exibe seus talentos no assado
Barbachan durante a Expointer deste ano, evento em que também exibe seus talentos no assado Foto : Mauro Schaefer

Muito do sucesso que representa o Acampamento Farroupilha de Porto Alegre atualmente é graças ao tradicionalista Rene Maurício Sutton Barbachan; não à toa, patrono dos festejos no Parque Harmonia deste ano. Natural da Capital e fundador do Núcleo de Criadores de Cavalos Crioulos da Sexta Região, Rene foi, em 1985, um dos primeiros gaúchos a fincar estacas de um piquete no parque com um grupo de amigos, tradição que evoluiu até a formação do acampamento como o público o conhece hoje.

“O que nós fizemos foi algo fantástico, sem imaginar que aquilo se transformaria no maior evento tradicionalista cultural do Rio Grande do Sul e um dos maiores do Brasil”, salientou ele, que mantém no evento deste ano o lote 219, na conhecida “Fazendinha”, e denominado Agrupamento Crioulo Hélio Barbachan, piquete cujo nome homenageia seu pai.

“Não tenho pretensão alguma de me comparar ao feito do Paixão Côrtes, Barbosa Lessa e seus pares”, acrescentou, quando questionado se seu ato é comparável ao dos criadores do movimento tradicionalista no Estado. Exímio assador, Barbachan já cozinhou para diversas autoridades nacionais e estrangeiras, e mantém a tradição na Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, onde exibe seu talento no assado há quase 50 anos. Na última segunda-feira, foi o assador na Casa do Correio do Povo, na Expointer.

No ano em que começou sua vigília, Rene e seu grupo foram os primeiros a acampar para esperar a chegada dos cavalos para o desfile de 20 de Setembro, que, naquela época, ocorria no domingo anterior a esta data. “No governo de Antônio Britto, conseguimos entrar com uma moção, estabelecendo o feriado estadual e homologar o desfile no dia 20”, contou Barbachan. “Permanecíamos no parque, no domingo desfilávamos, voltávamos para cá, comíamos assado, depois o caminhão carregava eles e íamos embora”.

Futuro do tradicionalismo

De um dia em 1985, a reunião no parque passou para dois no ano seguinte e cinco dias em 1987, primeiro ano oficial do Acampamento Farroupilha. Em um ano, o grupo chegou a ficar acampado 43 dias no local. O piquete inicialmente não era na Fazendinha, mas se mudou para lá em 2002; até então, ficava em uma entrada do Harmonia. “O parque hoje está com outra conotação, com uma parceria público-privada que beneficia a todos. Houve muitas melhorias. Imagina um evento gratuito, sem porteira, que coloca dois milhões de pessoas dentro do parque, é uma coisa absurda, fora de todos os parâmetros”.

Ao passo das transformações sociais ao longo das décadas, Barbachan, casado, pai de dois filhos, pioneiro também na inclusão de escolas no Acampamento, ainda em 1994, e que será homenageado com a medalha do Mérito Farroupilha da Assembleia Legislativa no próximo dia 17, no próprio evento que ajudou a criar, ressalta que a tradição “não pode fugir da evolução, mas não pode perder a essência”. “O Rio Grande é nosso país. E que as novas gerações não deixem a tradição morrer”, afirmou o tradicionalista.

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