As noites com frio extremo desta semana no Sul do Brasil ofertam perigos extras à população de rua. Em Porto Alegre, dezenas de pessoas optaram por ficar em praças, viadutos e marquises da região central, apesar das máximas próximas de 0ºC, desafiando ainda mais a própria resistência.
A rede pública de acolhimento da Capital dispõe atualmente de 250 vagas permanentes em três albergues. Para absorver a demanda extra dos meses de inverno, outras 120 estão disponíveis no Ginásio do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), e 150 no bairro Floresta, que pode ampliar para 250 em caso de necessidade. Contudo, os números da Secretaria de Assistência Social (Smas) do município apontam que a ocupação diária não alcança os 100%.
O maior número de acolhimentos até o momento foi registrado na madrugada desta quarta-feira, 2, quando 405 pessoas em situação de rua buscaram as estruturas para pernoite. O Ginásio do Demhab recebeu 107 homens, enquanto o abrigo da Comendador Azevedo, no Quarto Distrito, acolheu 149 pessoas. Os albergues Dias da Cruz e Acolher 2, somados, atenderam outras 149 pessoas.
A noite anterior de maior ocupação, antes da onda de frio polar que chegou ao Estado, foi sexta-feira, 27 de junho, com 391 acessos. Conforme a Smas, além das abordagens noturnas, intensificadas em diversas regiões de Porto Alegre e realizadas por 11 equipes, a população pode se dirigir aos espaços ou solicitar abordagem pela Central do Cidadão 156 opção 7. Nas buscas ativas ou em caso de solicitação de abordagem, um veículo da secretaria realiza o transporte até os locais de pernoite.
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Quem escolhe ficar na rua e enfrentar o rigor do inverno à noite enfrenta desde problemas respiratórios e cardiovasculares até hipotermia e lesões no corpo, causadas pelo frio. Papelões, colchões, plástico e cobertores são frequentemente vistos em calçadas de vias da região central, por exemplo, mas há os que desenvolvem outras estratégias de sobrevivência.
Sob viadutos do Centro Histórico e em praças no entorno da Usina do Gasômetro e próximas ao Estádio Olímpico, o Correio do Povo encontrou abrigos improvisados com lonas e até barracas de camping. Ao menos uma dúzia delas foram avistadas nesta noite pela reportagem.
Além da barraca, mais resistente ao frio, “C” e “D” escolheram a Praça dos Açorianos, no Centro, por outros motivos. Um deles é o uso do fogo para se aquecerem antes de dormir. Hoje, eles esquentavam água, ao mesmo tempo que amenizavam os 9ºC registrados por volta das 21h, mas preparam até mesmo alimentos quando dispõem deles.
Ambos são recicladores. Passam os dias juntos, coletando e unem esforços, também por questão de segurança, nas madrugadas. Tem sido assim nas últimas semanas. Noite a noite, sem saber precisar há quantas delas em situação de rua, têm resistido.
Operação Inverno:
As ações fazem parte do plano de enfrentamento à onda de frio que chega à Capital nesta semana, após as chuvas que causaram uma nova cheia do Guaíba e o alagamento de ruas em diversos bairros.
A Capital gaúcha teve um acréscimo de 14,88% no número de pessoas em situação de rua após a enchente de 2024, conforme o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/UFMG).
Transporte Solidário
Outra novidade é o serviço de transporte gratuito que passa a levar, pela manhã, os acolhidos no abrigo do Demhab até o Centro POP da avenida João Pessoa, onde passam o dia com acesso a alimentação e atendimento social.