A passarela sobre o corredor humanitário, no Centro Histórico, é por ora um dos tristes retratos das enchentes de maio que ainda restam em Porto Alegre. Ligando o nada a lugar nenhum, já que está parcialmente demolida, ela é reduto de pessoas em situação de rua que circulam pela área, embora, na visão de taxistas da região, haja uma convivência relativamente aprazível e respeitosa, desde que não haja intimidações. O 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM) faz a ronda ostensiva no local, permanecendo continuamente com uma viatura, ao menos.
Autoproclamado profissional do táxi atuando há mais tempo na Estação Rodoviária, Alcione Jacobsen, há 54 anos na área, diz que a situação ficou bastante complicada. “Está bastante difícil para as pessoas atravessarem”, disse ele. “Aquilo ali deveria ser demolido”, acrescentou. De fato, atravessar foi o que tentou fazer o administrador Gabriel Viana, morador do bairro Glória, na manhã desta quinta-feira.
Passarela da Rodoviária continua sem funcionalidade nem fim definido, quase oito meses após demolição de parte dela para viabilização do corredor humanitário
Como não há placas sinalizando a interdição da passarela, ele subiu, mas se frustrou quando chegou acima e viu que não era possível. “Nem sabia que não podia subir por ali”, comentou. Há alguns dias, havia cones com fitas demarcando a área bloqueada, porém, agora, nem elas existem mais. Uma placa informando a rota de pedestre pela passarela continua intacta no local. De acordo com a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), a conclusão do anteprojeto para uma nova estrutura deve ocorrer ainda no mês de janeiro. A estrutura restante da atual, enquanto isso, deverá ser demolida manualmente.
A partir disto, no primeiro semestre de 2025 deve haver a preparação para a contratação. “A gente tem ideia de que ela deve ser também uma obra bonita e icônica da cidade”, disse o titular da Smoi, André Flores. As medidas não ferem o Plano Diretor ou é preciso passar pelo Legislativo para proceder com as intervenções, segundo parlamentares da Comissão de Urbanização, Transportes e Habitação (Cuthab) da Câmara Municipal, como o presidente Giovani Culau e o membro José Freitas.
Em nota, o 9º BPM revelou que levantamento de dados constatou que houve uma redução de 15,7% nos delitos de roubo a pedestre no último ano, comparando com o ano de 2023, na região do entorno da Rodoviária.
Confira a nota completa:
A Brigada Militar, por meio do 9° BPM, informa que ao apurar os indicadores criminais no entorno da estação rodoviária de Porto Alegre, constatou que houve uma redução de 15,7% nos delitos de roubo a pedestre no último ano, comparando com o ano de 2023.
Além do mais, é importante frisar que são realizadas diversas ações de polícia ostensiva naquele local, bem como frequentes operações de saturação de área, repressão qualificada, ações integradas com apoio do canil do Batalhão de Polícia de Choque. Há também, ações de visibilidade, quando sempre há um policial permanentemente escalado em posto base em frente à passarela, dentre outras ações de polícia ostensiva cotidianas.
Na mesma esteira, utilizam-se de bicicletas, motocicletas e patrulhas comerciais, realizando visitações e interlocuções permanentes com a comunidade comercial do entorno. Também são realizadas ações de inteligência, visando o manejo adequado dos recursos e consequente manutenção da ordem pública.
A Brigada Militar reitera seu compromisso com a segurança da população e pede a colaboração dos cidadãos, incentivando a denúncia de qualquer atividade suspeita ou ilícita, utilizando o 190, assim como reafirma ser imprescindível o registro de qualquer fato criminoso, não só para a investigação pelo órgão competente, como para, em especial, o controle de análise criminal com vistas às respostas e estratégias da Brigada Militar na localidade.