Uma nova área verde de 2,6 mil metros quadrados foi entregue nesta terça-feira, no Distrito da Inovação, no 4º Distrito de Porto Alegre. Criado pelo Instituto Caldeira com financiamento do RegeneraRS, o espaço terá acesso público e foi projetado para unir convivência e adaptação climática.
Instalada no antigo pátio de estacionamento do prédio Guahyba, do Instituto Caldeira, a área tem um histórico marcado por atividades industriais, abandono, contaminação industrial e pela enchente de maio de 2024. A proposta agora é transformar o terreno em uma infraestrutura urbana com soluções de drenagem, arborização e manejo da água da chuva.
“A ideia era construir mais do que um espaço público, um novo equipamento para a cidade, mas principalmente um símbolo”, disse o diretor-executivo do Instituto Caldeira, Pedro Valério.
A apresentação do projeto ocorreu durante a Semana Caldeira 2026 e reuniu o secretário municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade, Germano Bremm, e a conselheira do RegeneraRS, Beatriz Johannpeter.
O nome será escolhido por votação pública entre duas opções: Praça Guahyba e Praça das Oliveiras, em referência às árvores doadas para o projeto. A escolha pode ser feita no site.
Área atravessou diferentes desafios
O terreno já abrigou o complexo da Companhia Industrial Rio Guahyba fundado em 1908, uma fábrica de tecidos. Segundo Valério o terreno que depois virou um estacionamento, foi contaminado pelas antigas atividades industriais, sendo inclusive um dos primeiros crimes ambientais registrados no estado.
Localizado em uma das áreas mais baixas da cidade, o espaço tem histórico de problemas de drenagem e pela enchente de maio de 2024. A partir da experiência da cheia, o Instituto Caldeira passou a discutir como transformar o espaço sem apenas reconstruir o que havia antes.
“A gente entendeu que tinha dois caminhos: abandonar essa região mais uma vez e irmos para uma área mais alta da cidade ou entrar de frente no problema e endereçar de uma forma definitiva quais as oportunidades para transformar essa região”, disse.
A parceria com o RegeneraRS surgiu nesse contexto. Criado após os eventos climáticos extremos de 2024, o fundo catalítico financia projetos de regeneração social, econômica e ambiental no Rio Grande do Sul e articula recursos de diferentes setores para ampliar o alcance das iniciativas.
Adaptações climáticas
O espaço foi concebido a partir das chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBN), que utilizam processos naturais para enfrentar problemas urbanos. Para Valério, a localização também determina a função que o novo espaço deverá desempenhar.
“Mais do que um equipamento público disponível para nossa sociedade, o exercício principal é que precisa ser uma praça útil. Quando a gente está colocando uma praça na segunda cota mais baixa da cidade, ela precisa efetivamente nos ajudar a constituir aqui uma melhor drenagem”, afirmou o diretor-executivo.
Entre as medidas previstas estão uma floresta de bolso, jardins de chuva, áreas permeáveis e sistemas de captação e infiltração da água. A vegetação também terá função de conforto térmico, com árvores, arbustos e forrações distribuídos para ampliar as áreas de sombra e reduzir a temperatura do ambiente por meio da evapotranspiração.
Na drenagem, pisos permeáveis, canteiros e áreas vegetadas permitirão reter e infiltrar parte da água da chuva no próprio terreno. O projeto prevê ainda o reaproveitamento de materiais no paisagismo e o uso experimental de resíduos em mobiliário, arte e outras estruturas.
“A adaptação climática não precisa estar distante da nossa vida cotidiana. É entender ela através de soluções como as soluções baseadas na natureza, em uma praça onde a gente convive”, afirmou Beatriz.
O projeto conta com apoio do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Rhama Analysis, KREBS+, Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), CoalizãoRS e Life's Gardeners, entre outros parceiros.