Cidades

Nove pessoas são abrigadas em associação após incêndio atingir 26 casas na Vila Asa Branca, em Porto Alegre

Encaminhados ao local reclamam não terem recebido benefício da compra assistida, por isso permanecendo na área afetada

Incêndio atinge inúmeras residências no Bairro Sarandi
Incêndio atinge inúmeras residências no Bairro Sarandi Foto : Camila Cunha

A manhã seguinte ao incêndio que destruiu dez das 27 casas em um terreno particular na rua Farroupilha, Vila Asa Branca, no bairro Sarandi, zona Norte de Porto Alegre, foi de avaliação dos danos e retirada do pouco que não foi atingido pelas chamas. A fina fumaça ainda subia de alguns pontos do cenário devastador. O local afetado havia sido atingido por até seis metros de água nas enchentes de maio de 2024.

Desta vez, as chamas, iniciadas por volta das 18h e controladas pelo Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS) perto da meia-noite, não deixaram feridos, porém um grande sentimento de indignação. Nove pessoas, sendo seis crianças, foram encaminhadas ao galpão onde funciona a sede da Associação Comunitária do Loteamento Asa Branca (Ascolab).

As casas delas não foram atingidas, mas elas foram levadas ao local como medida de precaução, por terem inalado fumaça. A maioria das residências estava vazia, pois muitos moradores já haviam sido contemplados com a compra assistida, ao contrário daqueles que precisaram ser removidos em razão do incêndio. Pablo de la Cruz, 66 anos, que veio da Venezuela há cinco anos e está no Brasil com cinco filhos, além dos netos, é um deles.

“Negaram meu recebimento do aluguel social porque sou aposentado, isso não pode acontecer”, contou ele, cuja casa somente não foi incendiada em razão de o vento ter empurrado o fogo para o lado contrário. A doméstica Jéssica de Mello é outra das moradoras da Farroupilha abrigadas. Ela, que afirmou estar em tratamento contra um câncer e apenas um pulmão, disse que um de seus dois filhos, que tem diagnóstico de esquizofrenia, a avisou das chamas.

“Queríamos um posicionamento de quando vamos poder receber o benefício. Estamos esperando há muito tempo uma vistoria. A gente mora na frente do dique, que é um lugar que enche de água em qualquer chuva. Além dessas chamas, estamos agora desesperados, na realidade, porque hoje vai chover de novo”, comentou Jéssica, que estava dormindo em colchões recebidos por doações na sede da associação ao lado de Pablo, mais a nora dele, a dona de casa Yurmari Vivas, também venezuelana, além dos três filhos dela e mais uma neta do idoso. Nas duas residências, o fogo chegou a apenas alguns metros de distância.

O presidente da Ascolab, Leandro Cardoso Machado, diz que a possibilidade do aumento do dique para cinco metros poderia fazer com que as famílias pudessem não temer permanecer no local, e que a proposta da Prefeitura para isto foi feita ainda em julho, logo após as cheias. “A princípio, nesta reunião, foi acordado de que as 27 famílias seriam indenizadas, e outras acabam recebendo o aluguel social, comprando em outro lugar e vendendo para outras que vêm para cá, aí o problema passa a ser delas”.

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Perguntado sobre o que pode ter iniciado as chamas, ele diz haver informações preliminares relacionadas à queima de fios na região. Horas antes do incêndio, o prefeito Sebastião Melo havia se reunido com moradores da região do dique do Sarandi, especialmente Vila Elizabeth e Parque, para tratar do acesso à compra assistida, reafirmando, por exemplo, que as famílias ainda precisam desocupar as casas na rua Aderbal Rocha de Fraga, vizinha ao córrego, porém distante da área incendiada, para a sequência dos trabalhos.

Tanto os Departamentos Municipais de Habitação (Demhab), Água e Esgotos (Dmae), quanto a Procuradoria-Geral do Município (PGM), estão comunicando formalmente as pessoas que vivem na área a respeito das obras emergenciais, e 57 delas já foram encaminhadas ao benefício da compra assistida. Os moradores também haviam recebido a opção do Estadia Solidária, que consiste no pagamento de R$ 1 mil no prazo de 12 meses, para cobertura de aluguel ou compra de mantimentos, valor que, muitas vezes, não é considerado suficiente.

Questionado sobre as críticas das famílias atingidas pelo incêndio da quinta, o Demhab disse, em nota, que “toda a comunidade conhecida como Ocupação Farroupilha, inclusive os habitantes destas casas incendiadas, tiveram seus laudos das casas e o cadastro social dos moradores enviados para Brasília para solicitação do benefício Compra Assistida”. Ou seja, a liberação agora depende de recursos da Caixa.

Leia a nota completa da Prefeitura

Na noite de quinta-feira, 23, um incêndio atingiu 27 residências na Vila Asa Branca, em Porto Alegre, mobilizando equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros.

Apenas 1 família (um casal e quatro crianças) ocupava uma residência no local e foram acolhidos na Associação Comunitária do Loteamento Asa Branca. As equipes da Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC) e da Subprefeitura estão prestando auxílio.

As demais casas incendidas estavam desocupadas e as famílias estão abrigadas no CHA Vida, na Zona Norte.

Nesta sexta-feira, 24, a Prefeitura dará continuidade ao atendimento e realizará um levantamento detalhado das moradias afetadas e necessidades.

Moradias - Toda a comunidade conhecida como Ocupação Farroupilha, inclusive os habitantes destas casas incendiadas, tiveram seus laudos das casas e o cadastro social dos moradores enviados para Brasília para solicitação do benefício Compra Assistida.