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Novo banco de areia se mantém mesmo com alta no nível do Guaíba, em Porto Alegre

Ex-diretor-geral adjunto do Dmae, que pesquisou o local, disse que área é “face mais visível do assoreamento” dos rios que desembocam no Guaíba

Bancos de areia no Guaíba formados nas semanas da enchente histórica ainda são vistos
Bancos de areia no Guaíba formados nas semanas da enchente histórica ainda são vistos Foto : Camila Cunha

O nível do Guaíba, em Porto Alegre, tem se mantido relativamente estável nos últimos dias, por volta de 2,40 metros, conforme as medições da Agência Nacional de Águas (ANA) e da régua de medição da empresa TideSat na Usina do Gasômetro, embora um pouco abaixo da cota de alerta, de 2,50 metros. Mas a altura não impediu que houvesse o desaparecimento do grande banco de areia formado na costa da ilha das Balseiras, paralela à zona Sul da Capital.

Mesmo sem definições sobre seu futuro, a tendência é a de que a ilha chegou para ficar, e reflete também um alerta ambiental. “Ela é a face mais visível do assoreamento de todos os grandes rios da bacia hidrográfica do Guaíba, demonstrando a urgência de ações para recuperar a capacidade de vazão de todos eles”, afirma o engenheiro civil e ex-diretor-geral adjunto do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Leomar Teichmann.

Para a navegação, não há mudanças, conforme já havia sido informado pela Portos RS, autoridade portuária gaúcha, pois o canal de navegação rumo à Lagoa dos Patos passa distante do conjunto arenoso. É consenso entre os pesquisadores que ele foi formado a partir de sedimentos trazidos pelas enchentes de maio depositados nesta região, cuja profundidade é pequena. Seu tamanho é variável, estimado entre 30 a até 80 hectares.

Ainda se afirma que as demais ilhas do sistema do delta do Jacuí foram formadas da mesma maneira. Ali, a natureza exerceu também seu papel de criar terras e se responsabilizar pela exuberância da vida. Não deve ser diferente nas novas terras, conforme é demonstrado pela presença de sementes e animais em circulação. A conexão desta nova ilha com as Balseiras vai depender também do volume de água e deposição de novos sedimentos ao longo do tempo.