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Novos contêineres: incêndios, deteriorações e descarte irregular de lixo ainda são realidade em Porto Alegre

Departamento Municipal de Limpeza Urbana contabilizou prejuízo de R$ 240 mil para as ocorrências. Usuários também relatam descarte incorreto e presença de lixo na volta

Moradores de bairros de Porto Alegre e usuários dos contêineres relatam que, mesmo com a presença dos novos modelos, o descarte irregular e a presença de lixo na volta persiste
Moradores de bairros de Porto Alegre e usuários dos contêineres relatam que, mesmo com a presença dos novos modelos, o descarte irregular e a presença de lixo na volta persiste Foto : Ricardo Giusti

Desde o dia 12 de março, Porto Alegre passa por um processo de substituição e de instalação de novos contêineres em diversos bairros. Porém, desde o início do processo, foram registrados casos de contêineres incendiados e avariados.

De acordo com o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), já foram levantadas 13 ocorrências de incêndios (veja a lista com os pontos abaixo) em diversos bairros, como Praia de Belas, Cidade Baixa, Centro Histórico e Menino Deus – onde houve o registro mais recente, na noite desta segunda-feira, 14, na avenida Getúlio Vargas, próximo do número 560.

Os modelos de contêiner reciclável, em PEAD, fazem parte da área teste da nova Coleta Seletiva, que está instalando 450 equipamentos. De acordo com o DMLU, o custo unitário é de cerca de R$ 12,8 mil, e com limpeza e outras despesas adicionais geradas pela troca, como os incêndios, cada substituição chega a aproximadamente R$ 20 mil, totalizando um prejuízo de R$ 240 mil até o momento.

Outro contêiner danificado foi encontrado pelo Correio do Povo em um dos pontos instalados na rua João Alfredo, nas proximidades do número 513, no bairro Cidade Baixa. O equipamento, que não faz parte do novo grupo de contêineres instalados, mas que é destino de vidros, disponibilizado pelo programa da empresa Verallia - Vidro vira vidro, sofreu avarias e teve sua abertura cortada.

Após vistoria feita pela Coordenação de Coletas do DMLU nesta segunda-feira, dia 14, a empresa responsável pelo projeto foi notificada para os reparos necessários, segundo o Departamento. A iniciativa realiza a coleta específica, transporte e recolhimento dos resíduos do material (cacos de vidro) e destino final para reciclagem, sem custo para o município. De acordo com o Departamento, a ação busca aumentar a reciclagem do vidro, por meio do incentivo ao descarte adequado e aumento do uso do resíduo na fabricação de novas embalagens.

Problemas no serviço de conteineres no Centro Histórico, Cidade Baixa e Bom Fim em Porto Alegre.Cidade Baixa | Foto: Ricardo Giusti

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Descarte irregular

Os novos modelos de contêineres, com tampa fixa e janela de abertura no formato boca de lobo, e os de cor verde, em modelo PEAD, destinados à coleta seletiva na área teste, têm uma abertura menor, que prometia facilitar o descarte correto e estimular a separação dos materiais. Porém, dificultam a ação de catadores por apresentarem maior dificuldade de acesso. Moradores de bairros de Porto Alegre e usuários dos contêineres relatam que, mesmo com a presença dos novos modelos, o descarte irregular e a presença de lixo na volta persiste.

Luiz Peixoto, dono da Tabacaria Bom Fim, na rua Felipe Camarão, insatisfeito com a presença de lixo na volta do contêiner para orgânicos que fica em frente ao seu estabelecimento, colocou uma placa ao lado que anunciou que o descarte de lixo seco deveria ser feito ao lado de fora do contêiner, para a coleta seletiva. Ele relata, também, que liga todos os dias para a prefeitura para reclamar da presença de sujeira no local.

“Todos os dias é isso aí. Tem dias que você não consegue passar pela calçada de tanto lixo”, relata.

Na madrugada de domingo, dia 13, houve a troca do contêiner para o de boca de lobo, mas teme que o problema do descarte incorreto não se resolva.

“Antes, a população tirava o lixo seco, esvaziava e dava tempo. Agora que a abertura está mais fechada, vai aumentar cada vez mais”.

Ele defende que deveria haver propaganda de consciência para o descarte regular todos os dias. “Uma solução seria colocar o contêiner verde junto, de lixo seco, também ajudaria bastante no descarte”, diz.

Problemas no serviço de conteineres de lixo no Centro Histórico, Cidade Baixa e Bom Fim em Porto Alegre. Luiz Peixoto, dono da Tabacaria Bom Fim | Foto: Ricardo Giusti

Silvia Morem, moradora na rua João Pessoa, diz que a inclusão de um contêiner verde na região melhorou o descarte, mas de vez em quando ainda encontra lixo reciclável misturado ao orgânico. Também se questiona para onde escoa a chuva que eventualmente cai nos contêineres com abertura. “Quando começar a chover, pode cair bastante água ali. No outro [modelo], tinha que levantar a tampa. Esse está aberto, como é que vai ser?”, questiona.

Em relação ao escoamento da água da chuva, o DMLU informou que os contêineres utilizados na operação de recolhimento de resíduos domiciliares de Porto Alegre são vedados nas laterais e na parte inferior, conforme o modelo boca de lobo, para orgânicos e rejeitos, que possui uma abertura pequena. Segundo o departamento, “líquidos que eventualmente não escorram totalmente pela tampa e entrem no equipamento, como água da chuva, serão absorvidos junto com os materiais e escoados para dentro do caminhão ao serem coletados”. Foi afirmado, também, que a higienização é periódica, com a lavagem frequente da parte interna dos dispositivos.

O diretor-geral do DMLU, Carlos Hundertmarker, ressaltou em março que existem multas que podem chegar até R$ 4 mil reais para a população que realiza destinações de resíduos de forma incorreta, e lembrou que houve contratação de equipes exclusivas para educação ambiental e também de resposta rápida, por meio de QR Code instalado nos contêineres, em que a população pode solicitar uma resposta rápida tanto para conserto de pedal, de tampa e de eventuais problemas, mas também para limpeza ao redor dos contêineres, além da presença de uma equipe de educação ambiental, formado por quatro auxiliares, para atuar em apoio às ações de sensibilização.

Confira os registros de contêineres incendiados:

  • 14 de abril: registro de incêndio na avenida Getúlio Vargas, 560, no bairro Menino Deus;
  • 10 de abril: dois incêndios na rua Lima e Silva, 377, e na rua da República, 303, ambas no bairro Cidade Baixa;
  • 7 de abril: foi queimado um coletor instalado na avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, nas proximidades do número 972, bairro Praia de Belas;
  • 3 de abril: ocorrência na avenida João Pessoa, 981, bairro Cidade Baixa;
  • 2 de abril: foram atingidos três pontos de coleta no Centro Histórico, localizados na rua General Canabarro, 398, General Cipriano Ferreira, 551 e Demétrio Ribeiro, 273;
  • 28 de março: foi destruído mais um contêiner, na rua José de Alencar, 664, bairro Menino Deus;
  • 22 de março: duas unidades foram substituídas: na avenida Ipiranga, nas imediações do número 321, bairro Praia de Belas, e a outra na rua Barão de Teffé, 351, no Menino Deus;
  • 27 de março: no mesmo bairro, na rua Cícero Ahrends, em frente ao número 265, foi ateado fogo em um equipamento, no exato local do primeiro ato de vandalismo.
  • 15 de março: o primeiro dispositivo disponibilizado para o endereço também foi incendiado, e a substituição havia ocorrido durante a semana.

O Departamento fez o registro policial dos danos. Segundo o órgão, “a prioridade é a manutenção da operação, para que a implantação do novo serviço de coleta não sofra atrasos”. Ainda, reforça que é possível registrar denúncias que auxiliem na identificação dos infratores por meio do sistema 156.