As obras do Quadrilátero Central, no Centro Histórico de Porto Alegre, causam transtornos no trânsito, com ruas que já são estreitas, devido aos trabalhos da Prefeitura, tornadas menos espaçosas ainda. Também não se sabe onde é possível estacionar, fazendo com que o próprio meio da rua vire local de parada. Na rua Dr. Flores, por exemplo, onde há semanas há buracos abertos e nenhuma intervenção por parte da Prefeitura, segundo moradores e comerciantes locais, carros particulares estacionam onde há placas de autorização apenas para carga e descarga, aumentando o caos e os congestionamentos.
Motocicletas também são obrigadas a estacionar em meio à terra solta na rua Dr. Flores, algo insólito em meio ao ambiente urbano. Potenciais fiscalizadores, agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) não foram vistos nos momentos em que a reportagem circulou na área, entre esta via e as ruas Gen. Vitorino e dos Andradas. “A gente que vem pegar os pedidos aqui nos restaurantes do lado sofre bastante com isso”, contou o motociclista Everton Júnior, que trabalha como temporário em uma lancheria de fast food na esquina da Dr. Flores com a Andradas.
“Subir esta calçada também é bastante complicado. E a fiscalização também não aparece”. Ao lado de sua moto, havia pelo menos mais uma dezena na mesma situação. Motorista de caminhão de uma transportadora, José Carlos Borges disse que estacionou com o pisca-alerta ligado no meio da Dr. Flores porque não havia alternativa. “Se tu for olhar a placa mais abaixo, aqui é área de carga e descarga mesmo. Só que não há respeito nenhum a isso por parte dos carros particulares. Perto do Mercado Público e do POP Center, é a mesma coisa. Não adianta buzinar para avisar os demais motoristas, ainda somos repreendidos. Eu acho que estas obras vieram só para complicar tudo”, justificou ele.
Problemas nas obras Quadrilátero Central no Centro Histórico
Na Andradas, há veículos colados uns aos outros em áreas de estacionamento proibido, bem como a parada em esquinas. Ambas as situações são vetadas pelo artigo 181 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a primeira sendo uma infração grave e a segunda como média. A atendente de um restaurante da área, Kally Luana, disse que estas situações são bastante comuns.
O que diz a Prefeitura
“Caminhões colocam aqui também, porque, se não, fica longe para estacionar e descarregar as mercadorias. Os ônibus também querem parar, já que aqui há uma parada, e muitas vezes não conseguem”, comentou ela. Procurado, o secretário municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), André Flores, disse que as obras, mais a sinalização na Dr. Flores, devem estar concluídas em 30 dias, sendo que, naquela área, o pavimento está sendo refeito. A expectativa, segundo ele, é finalizar as obras do Quadrilátero Central no final de março.
“Estamos colocando postes de iluminação pública, câmeras de segurança, o mobiliário leva 60 dias para chegar, porém já o encomendamos em dezembro, e ainda temos coisas a serem requalificadas ali. Mas isto não impede o trânsito. Quanto ao que impede, acredito que nos próximos 30 a 40 dias isto deve estar concluído”, disse ele, justificando que faltam também áreas na Andradas com Mal. Floriano e com Gen. Câmara, as duas “pontas” da via que recebem obras.
Já a EPTC disse que, “em relação ao estacionamento de veículos nas ruas que compõem o Quadrilátero”, “tem feito ações diariamente na área e, quando são constatados veículos desrespeitando a sinalização e estacionando em local proibido, os mesmos são devidamente autuados e, se possível, removidos ao depósito. A EPTC reforça ainda que alguns pontos estão em obras e só após a conclusão da revitalização será colocada a sinalização definitiva”.