A chuva que caiu em Porto Alegre nesta quinta-feira, dia 17, não impediu a continuidade os trabalhos de retirada e transporte de entulhos das residências demolidas e a limpeza do dique do Sarandi, na rua Aderbal Rocha de Fraga, em terreno do trecho de 300 metros contemplados na segunda fase das obras de recuperação. Os serviços prosseguiram após a permissão para a retirada das demais residências do lado onde ainda haviam famílias remanescentes até o dia 3 de julho. De acordo com o diretor-executivo do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Vicente Perrone, essa etapa deve ser concluída até a metade da próxima semana.
Até a tarde desta quarta-feira, foram realizadas 335 viagens para transporte até um aterro em Eldorado do Sul, e foram retirados aproximadamente 3.500 metros cúbicos de entulhos. Cada caminhão carrega, em média, seis a 10 viagens por dia e, até o final desta etapa, devem ser 500 caçambas de resíduos transportados.
Terminada esta etapa, será executado o projeto geotécnico de elevação da cota da estrutura, que já está pronto e com obra contratada desde o ano passado. Os trabalhos envolvem a compactação de argila, em camadas, e a construção de um talude, que deverá aumentar a área de proteção contra cheias em até 5,8 metros. A empresa responsável por executar a obra é a Brasmac, a mesma que realizou a obra no trecho 1 e, também, em todo o dique da Fiergs. A segunda etapa, a atual, envolve o trecho entre a Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebap) 10 e o ponto onde houve rompimento em 2024.
Perrone explica que as etapas atuais permitem que se tenha o acesso total ao dique, para que sejam feitas as próximas intervenções. “A gente tem uma questão bem importante ali, que é uma rede de pluvial que foi destruída pela construção em cima da rede, então é uma galeria bastante grande. Esse era o motivo dos recorrentes alagamentos naquela região, porque as próprias famílias construíram em cima dessa rede. Era uma região que não tinha nem calçada, então a rede estava literalmente destruída. A gente tem duas intervenções ali, de retirar bastante material das fundações e das residências, fazer uma análise estrutural de todas as alturas e tudo mais”, explica.
A etapa do projeto de alteamento deve começar já na próxima semana, e deve durar até três meses, estima o diretor-executivo. “Tem toda uma preparação do terreno em volta. Primeiro a construção do talude e a compactação, e a gente precisa também retirar a parte onde houve o rompimento no ano passado, onde tem bags, rachões, e outros materiais. Tem um trabalho também de reconstrução da parte onde tem a rampa. E a partir disso, o alteamento dele, todo o trabalho aí que deve durar 3 meses” – ou seja, até o final de outubro, estima.
“É a tendência. Obviamente, em obras têm coisas que a gente não decide, mas a ideia é não parar o serviço. A empresa já está contratada, ontem mesmo fizemos uma reunião sobre isso, hoje temos outra. Então, a ideia é retomar a obra de alteamento do dique já em seguida”, reforça Perrone.
A terceira fase do dique, que compreende mais dois quilômetros de trecho da rampa até a Assis Brasil, ainda está sem previsão de início. Isso porque, para a execução da obra, é necessário o acolhimento de cerca de 500 famílias.
“Algumas já saíram, as que estão principalmente na área molhada, onde já houve a retirada da residência. Tem um longo trabalho pela frente para o acolhimento dessas 500 famílias e da retirada das suas casas. Isso não deve demorar pouco tempo. Então, não está na nossa perspectiva ainda começar o alinhamento entre o rompimento até a Assis Brasil. A gente conversa bastante com o secretário de habitação do Demhab, André Machado, mas isso, com certeza absoluta, será um longo processo”, reconhece.
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