Em uma semana, a cidade de Igrejinha, no Rio Grande do Sul, receberá a tradicional festa de outubro. Após parque ter cido tomado pelas águas, a 35ª Oktoberfest de Igrejinha chegou a ser uma dúvida, mas justamente por ser uma festa que contribui com a cidade e comunidade, a organização decidiu mantê-la.
“Também fomos duramente atingidos, inclusive o nosso parque, mas primeiro tínhamos que resolver as questões humanitárias, e assim o fizemos. Depois, vimos que tínhamos ainda três meses para organizar a festa e nós, com a persistência dos nossos antepassados, resolvemos que precisávamos reconstruir, enfrentar essas adversidades e fazer uma grande festa”, relata Egon Wallauer, presidente da Associação de Amigos da Oktoberfest de Igrejinha (Amifest), promotora da festa.
Ele ainda explica que o momento relembrou as dificuldades vividas pelos imigrantes alemães quando chegaram ao Brasil. “Eles não tinham estradas, água quente e energia, além de viver com condições alimentares restritas. Vieram com força e coragem para desbravar essas terras. Neste ano, com as enchentes, vivenciamos um pouco do que eles passaram naquela época, já que por alguns dias também ficamos sem estrutura, sem estradas, sem moradia, com alimentos limitados e dificuldades na área de saúde”, analisa o presidente. “A gente enxerga com uma certa simbologia tudo o que vivemos, considerando que é exatamente neste ano que comemoramos o Bicentenário da Imigração Alemã no Brasil”, complementa.
Neste contexto, Wallauer aproveita para convocar todos a prestigiar a edição deste ano e contribuir com a reconstrução de Igrejinha e região. “Em tempos desafiadores, nossa união é mais importante do que nunca. Estamos convidando a todos para participar de uma Oktoberfest especial, de 11 a 20 de outubro, que não apenas celebrará nossa resiliência, mas também contribuirá diretamente para a reconstrução de nossa amada cidade e região. Nossa festa será uma oportunidade para arrecadar recursos, compartilhar ideias e fomentar a colaboração entre todas as comunidades. Sua presença faz a diferença!”, reforça.
Perdas no Parque da Oktober ultrapassaram R$ 1,5 milhão
Em maio, as correntezas dentro do Parque da Oktoberfest ultrapassaram dois metros de altura. Consequentemente, as perdas foram inúmeras. “Perdemos um prédio por inteiro e todos os demais sofreram avarias, além de estruturas externas. Até o momento, o prejuízo já ultrapassou R$ 1,5 milhão, mas ainda estamos concluindo as reformas e contabilizado”, informa Wallauer.
O diretor de Infraestrutura e Patrimônio da Amifest, Daniel Gustavo Brusius Wilbert, fala um pouco mais sobre os prejuízos no parque. “A estrutura administrativa da Amifest foi praticamente toda perdida, assim como os materiais de decoração usados no parque e na cidade”, contextualiza. Além disso, Wilbert comenta que grande parte das redes elétrica, de esgoto sanitário, esgoto pluvial e água foram danificadas e precisaram ser refeitas. “Como nosso parque fica às margens do Rio Paranhana, também precisamos refazer o sistema de contenção com enrocamento de pedras. Um dos banheiros foi totalmente perdido porque foi levado pela correnteza e também perdemos muitas portas e janelas”, detalha.
A enchente também comprometeu a pavimentação, tanto asfáltica quanto em bloqueto do parque, além de danificar parte do cercamento do local. Os espaços de alimentação operados pelas entidades também registraram diversas perdas, comprometendo mobiliários e utensílios de cozinha. “O nosso parque foi duramente atingido e estamos trabalhando bastante para termos tudo pronto até a Oktober”, garante o diretor.
Oktoberfest contribuiu na reconstrução da cidade após enchente
Logo que a inundação aconteceu em maio, a Amifest foi peça fundamental para auxiliar a comunidade, arrecadando itens para doações e valores em PIX para contribuir com diversas necessidades da população naquele momento. “A Oktoberfest de Igrejinha conseguiu mobilizar a adesão de pessoas de diferentes lugares do Brasil e do mundo, arrecadando quase meio milhão de reais, e ainda, recebeu e intermediou mais de meio milhão de reais em materiais diversos como colchões e materiais de limpeza”, expõe o presidente Wallauer.
Pode se dizer que, naquele momento, o espirito voluntário característico de Igrejinha, decretada Capital Estadual do Voluntariado pelo Governo do Estado justamente pelo envolvimento da comunidade com a Oktober, se alastrou por todos os cantos do estado e Brasil. Por isso, além da ajuda financeira para a região, o presidente avalia que a maior contribuição da Oktoberfest foi despertar a empatia e o desejo de ajudar o próximo, independentemente das fronteiras geográficas. “Essa solidariedade global não apenas ajudou a mitigar os impactos da tragédia, mas também fortaleceu os laços entre as pessoas e as comunidades em todo o mundo”, aponta, relembrando que a Associação recebeu doações de pessoas de diferentes estados das cinco regiões do Brasil e também de ONGs (Organizações Não Governamentais) com sedes na Austrália e Suíça, por exemplo.
Para o presidente, a importância da confirmação da festa neste ano vai além da contribuição financeira que ela traz à comunidade. “Estaremos retornando para a convivência social, comunitária e festiva, que também é um propósito da Oktoberfest. E, além disso, a festa deste ano também servirá para agradecer as ajudas humanitárias que recebemos de várias regiões do Brasil e do mundo”, pontua.