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Ondas fazem o Guaíba parecer mar no Calçadão de Ipanema em Porto Alegre

Nível do Guaíba estava em 2,69m na tarde de sexta-feira e o vento Sul causa fortes ondas no local

Elevação do Guaíba criou ondas no calçadão do bairro Ipanema, na Zona Sul de Porto Alegre
Elevação do Guaíba criou ondas no calçadão do bairro Ipanema, na Zona Sul de Porto Alegre Foto : Ricardo Giusti

O Calçadão de Ipanema, na Zona Sul de Porto Alegre, enfrenta um cenário de destruição desde a grande enchente de dois meses atrás. Nesta sexta-feira, 12, o vento Sul voltou a causar ondas fortes no Guaíba, intensificando os danos e fazendo com que o calçadão pareça mais com uma praia devastada.

Desde a enchente, os estragos no calçadão ainda não puderam ser consertados, pois o nível do Guaíba não recuou o suficiente. Há duas semanas, o nível havia se elevado novamente e, agora, com o vento Sul, as ondas fortes tornam a situação ainda mais delicada. Pedras soltas, buracos e o cenário de destruição são uma constante ao longo do calçadão e refletem o impacto contínuo da natureza.

A policial aposentada e assistente social, Nilza Vedana, de 64 anos, mora na região há 28 anos e vê com tristeza o estado atual do calçadão. "Na minha casa, a água chegou até o jardim. Precisei tapar os ralos para evitar que a água invadisse,” relata. Ela, que tem o hábito de caminhar na beira do Guaíba, se sente profundamente afetada pela destruição do local.

Nilza destaca que a responsabilidade pelos danos não deve recair apenas sobre os governos, mas também sobre a população. “É injusto botar a culpa somente em governos. A população também é responsável. Jogam lixo no chão, entopem bueiros, pessoas não têm comprometimento com o meio ambiente e estragam tudo,” lamenta.

Segundo ela, é necessário um esforço conjunto para reverter a situação. “É muito triste como moradora olhar o calçadão deste jeito. Eu fotografo muito esta parte aqui, linda como estava, e o estado em que está agora. Mas não adianta, é preciso dar tempo ao tempo. Todos nós somos responsáveis e não adianta colocar a culpa um no outro,” afirma.

Os moradores lembram com clareza das enchentes do ano passado, que também causaram danos significativos. "Consertaram, mas agora a água destruiu tudo de novo," comenta Nilza.

As intervenções feitas anteriormente foram insuficientes diante da força das novas enchentes. Nesta sexta-feira, de acordo medição das 16h15min, o nível do Guaíba no Cais Mauá estava em 2,69m.