Débora Linhares da Silva está na expectativa da mudança para uma casa nova. A moradora de Lajeado, no Vale do Taquari, foi uma das 373 pessoas encaminhadas ao Parque do Imigrante, devido à sua casa até então, na localidade conhecida como Cantão, ter sido atingida por mais duas fortes enchentes em um período de duas semanas.
Entrevistada na semana passada pelo Correio do Povo enquanto estava no abrigo, de onde não saiu desde então, ela havia dito que estava esperando pela oportunidade, e seu sentimento era de angústia. Em 2023, depois de outra forte inundação, Débora contou ter passado dois anos morando com o aluguel social, até parar com os filhos filhos, de 10 e 17 anos, no lugar onde enfrentou a cheia mais recente.
Agora, 44 anos depois da primeira casa, o discurso é outro e mais feliz. “Eles vai demolir ali onde eu moro. Fui avisada por uma amiga que uma pessoa queria falar comigo. Quando fui avisada da casa, comecei a chorar. É outra vida a partir de agora. Não tem mais condições de ficar lá”, disse ela, que contou ter sido avisado pela assistência social da Prefeitura um dia após a entrevista.
O local da nova moradia tem dez casas, uma próxima à outra, permitindo um recomeço não somente para ela, mas outras pessoas também. Já outros moradores ainda aguardam a oportunidade de um novo lar.
Elisiane Escobar de Oliveira, dona de casa, mora na mesma área do popular Cantão, com quatro, um deles com deficiência física e uso de cadeira de rodas, dos oito filhos. Ela mesma já viveu na Ilha da Pintada, em Porto Alegre, mas se mudou para Montenegro, no Vale do Caí, onde tem parentes, depois justamente de enfrentar outra enchente.
Depois, foi para Lajeado. “Semana passada consegui salvar poucas coisas, como alguns móveis e eletrodomésticos. As roupas praticamente perdemos tudo”, contou Elisiane, que disse também ter esperança de receber uma nova residência, também longe das inundações.
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