Parceria entre lideranças comunitárias propõe transformar imóvel em centro cultural em Sapucaia

Parceria entre lideranças comunitárias propõe transformar imóvel em centro cultural em Sapucaia

Atualmente, local sedia a Associação Comunitária de Arte e Trabalho

Fernanda Bassôa

Campanha arrecadará materiais de construção para reforma do espaço

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Um terreno escondido no bairro Paraíso, em Sapucaia do Sul, que cedia uma singela casa de alvenaria, ainda sem reboco ou tintura, entre as ruas Jorge Assun e Manoel Serafim, deve se transformar em um grande centro cultural, musical e social voltado à juventude da cidade e região. O imóvel, que sedia a Associação Comunitária de Arte e Trabalho, é da dona Silvia Maria Vieira, 75 anos, mas com o passar do tempo o local foi ficando esquecido e pouco usado devido à baixa de doações, investimentos e com a chegada do coronavírus, pois a idosa pertence ao grupo de risco.

Foi também diante das constantes invasões de vândalos, depredações e furtos no local, que a gurizada se mobilizou e junto com a Associação da Cultura Hip Hop de Esteio, estabeleceu um cronograma de ações para transformar o local em referência cultural, de forma totalmente independente e autossustentável, sem ligação ou dependência política. O filho da Dona Sílvia, José Garibaldi Vieira, 35 anos, conhecido entre a galera como Montanha, disse que a ideia surgiu depois que ele foi às redes sociais reclamar dos constantes descasos da população e das autoridades de segurança para com o bem-estar do, até então, equipamento social.

“Aquele local é o sonho da minha mãe. Ela sempre viveu para realização de trabalhos comunitários e sociais. Atividades esportivas, musicais e oficinas. Só que diante da falta de recursos e ainda com a pandemia o local foi esquecido. A partir do meu desabafo na internet a gurizada me procurou e apresentou a proposta de transformar o local, mediante voluntários, apoiadores, campanhas de doações e arrecadações”.

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De acordo com Montanha, a campanha inicial será de arrecadação de materiais de construção. “Já fizemos algumas reuniões e a ideia é reforçar a estrutura já existente, como cercamento, telhado e iluminação, para que mais tarde possamos inserir mobiliário. Primeiro precisamos deixar o local seguro”.

Ele diz ainda que a expectativa é que em janeiro de 2021 já tenha angariado mais de 50% do material para dar seguimento ao projeto. “Nossa intenção é inaugurar a casa ainda em 2021”.

O coordenador de autogestão e sustentabilidade da Casa da Cultura Hip Hop de Esteio, Rafael Diogo dos Santos, que está apadrinhando o projeto na cidade vizinha, diz que a semelhança dos espaços é tremenda. “As proprietárias dos imóveis são mulheres idosas e que cedem os locais para a juventude usufruir com princípios sociais e comunitários. Neste caso, a tia Sílvia compreende a importância de ter um equipamento público instalado em Sapucaia. Eu, enquanto musico, artista e ativista da causa, tenho um sentimento muito positivo, pois vejo a possibilidade de `espraiar´ o trabalho que já realizamos para as cidades do entorno”.

Rafael diz que a criação de redes pautadas em ações sociais e públicas, com estratégias de articulação política-comunitária e frentes de trabalho e renda decentes, é muito satisfatório. “Vamos engajar parceiros e apoiadores para que tenhamos êxito nas ações e para que a casa entre em funcionamento em 2021. A juventude de Sapucaia do Sul merece este espaço”.


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