O Guaíba recua de forma tímida em pontos no bairro Guarujá, na zona Sul de Porto Alegre. No entanto, ainda há áreas em que a inundação impede a circulação de veículos. Barcos ainda são o único meio de locomoção em ruas da localidade, que completou um mês com inundações em todos os dias.
Na avenida Guarujá, os veículos conseguem avançar apenas até o cruzamento com a rua Oiampi, que está alagada em ambos os lados. Ali, os moradores são obrigados a utilizar embarcações para atravessar a via.
A Praça Zeno Simon, na avenida Guaíba, também está completamente tomada por água. Quase todos os moradores do entorno foram forçados a sair de casa, após a inundação.
Entre recuos e cheias, o bairro Guarujá completou 30 dias inundado. Na tentativa de evitar furtos e saques, os residentes decidiram contratar uma empresa de segurança privada. Os vigias fazem patrulhas durante o dia e ao longo da noite, também com o uso de botes.
O professor universitário Honor de Almeida Neto, de 56 anos, perdeu quase todos os objetos no interior da casa onde mora com a esposa. De acordo com a dupla, a água dentro do imóvel ultrapassou a linha da cintura.
Desde então o casal está alojado na residência de familiares, em um ponto mais alto no bairro Nonoai. No entanto, os dois retornam periodicamente ao bairro Guarujá para tentar recuperar os poucos pertences que a água não levou.
"Perdemos praticamente tudo. A água invadiu nossa casa e a única coisa que pudemos fazer foi ir embora, enquanto tudo na nossa volta submergia. É comum ter alagamentos na região, mas nunca tínhamos vivido nada similar ao que aconteceu nos últimos dias. Parecia o Titanic”, ironizou o professor.
Além da inundação, quem vai ao bairro Guarujá ainda encontra casas destroçadas, pedaços de muros, portas e portões, sendo tudo isso rastro da enchente. O lixo forma pilhas na região e flutua na água, que impede o acesso dos caminhões de coleta.