Passo Fundo, no Norte do Estado, é mais um município gaúcho a decretar situação de emergência devido à estiagem. A Prefeitura destaca que a falta de chuvas causou prejuízo principalmente na agricultura e no abastecimento de água para animais e potável na zona rural. O decreto além de reconhecer a gravidade da situação, autoriza medidas emergenciais para minimizar os impactos causados pela falta de chuvas.
Conforme os números apresentados pela Emater, a safra de 2024/2025 apresenta perdas significativas em diversas culturas o que prejudica diretamente os produtores rurais. Conforme dados do último dia 24, os prejuízos projetados são de mais de R$ 130 milhões, por perda de 33% na safra da soja, 30% na bovinocultura de leite, 12% no milho e 10% na hortifruticultura.
Atualmente a prefeitura está levando água em um caminhão-pipa de cinco mil litros para
909 famílias no interior, distribuídas entre os seis distritos do município, que de alguma forma são afetadas pela estiagem, seja por os níveis de água dos açudes estarem diminuindo, dificultando a dessedentação animal como também a irrigação de algumas culturas (hortaliças). Aproximadamente 93 famílias têm dificuldades no fornecimento de água potável para consumo humano. O distrito mais afetado é o de São Roque.
O déficit hídrico em Passo Fundo começou em novembro, quando foi de 86,2 milímetros, período crítico para o milho e pastagens de bovinos de leite. Conforme o secretário de agricultura e desenvolvimento rural do município João Bordin foi um fator limitante, pois esses cultivos dependem de uma quantidade adequada de água para o pleno desenvolvimento. "O período de 24 dias de seca intensa de 4 a 27 de novembro, com apenas 28,2 mm de chuva, agravou ainda mais a situação, prejudicando o desenvolvimento da cultura", observa.
Já o mês de dezembro, as condições climáticas melhoraram na cidade com uma precipitação de 218 mm, acima da média histórica. "A regularização das chuvas neste mês, embora benéfica, provavelmente não foi suficiente para recuperar totalmente os danos causados pela seca anterior, principalmente para culturas mais sensíveis como a soja", completa
Porém, com o retorno da estiagem em janeiro e fevereiro, com precipitações bem abaixo da média histórica (72,9 mm em janeiro e 45,9 mm em fevereiro, comparados com as médias de 173,7 mm e 146,9 mm, respectivamente), as lavouras de soja foram severamente afetadas.
O prefeito Pedro Almeida enfatiza que a ação visa garantir todo apoio para a população afetada. "A estiagem impacta a economia local e o abastecimento de água. Estamos mobilizando todos os recursos necessários para minimizar os danos", garantiu.
Com o decreto, todos os órgãos municipais estão autorizados a atuar sob a coordenação da Defesa Civil em ações de resposta, reabilitação e reconstrução. Também está liberada a convocação de voluntários e a realização de campanhas para arrecadação de recursos que auxiliem as comunidades impactadas.
O documento também permite a dispensa de licitação para aquisição de bens essenciais ao atendimento da emergência, respeitando os prazos estabelecidos pela legislação. A validade da medida é de 180 dias, podendo ser prorrogada conforme a evolução do cenário.
Segundo a Defesa Civil Estadual, a estiagem já afetou mais de 2,1 milhões de gaúchos, que moram em 225 cidades. Dessas 220 já haviam decretado situação de emergência, até o início da tarde desta terça-feira. Encontra-se em análise pelo Governo do Estado 192 documentos, mas 84 decretos foram homologados e 73 reconhecidos pelo Governo Federal.