Pedras, buracos, restos de construção, até mesmo cacos de vidro. O que parecem ser resíduos de obra geralmente descartados de forma irregular em regiões mais distantes do centro pode ser visto em pleno coração de Porto Alegre. Por conta da reforma do Instituto de Educação General Flores da Cunha (IE), as calçadas do entorno do prédio histórico estão avariadas, algumas delas intransitáveis para pessoas com dificuldade de mobilidade.
É o caso do passeio público que contorna o IE, na avenida Setembrina. Por estar junto ao Parque Farroupilha, a calçada recebe bastante movimento de estudantes, pedestres e pessoas praticando esportes, porém não mais atende quaisquer atividades com segurança.
O médico veterinário aposentado Mauro Luís da Silva Machado, 66 anos, é morador do bairro Bom Fim e circula pela região com frequência. Ele alega que o problema persiste há meses, porém a situação piorou no último mês.
“Imagina caminhar ali num dia de chuva? Cheguei a fazer fotos a pedir providências, mas enquanto não resolvem a população sofre”, lamenta.
Machado lembra que além de barro nos dias com tempo ruim, montes de terra, sobras da obra, possivelmente resultante das obras de recuperação do Instituto, bloqueiam praticamente toda a passagem em alguns trechos. Buracos e lixo completam o cenário.
“Temos buracos e problemas em vários pontos da cidade, é só andar por aí que tu vais ver”, afirmou o aposentado, destacando a rua onde mora, a Doutor Barros Barros Cassal.
Relato de dificuldades também é registrado com quem possui mobilidade reduzida. Buracos e pedras soltas atrapalham cadeirantes, idosos que se locomovem mais devagar e, quem faz uso de bengalas ou muletas e até mesmo mães e pais empurrando carrinhos de bebês, por exemplo.
“Não é só a do lado, a calçada da Osvaldo Aranha (onde fica a entrada principal do IE) está cheia de remendos e buracos. São obstáculos que não poderiam existir, muito menos em uma capital, tem lei para isso e tem os direitos das pessoas com deficiência”, lembra o aposentado Marco Aurélio Oliveira, 58, que há 20 anos sofreu uma lesão no quadril e caminha com o auxílio de uma bengala.
O que diz o governo do Estado
A Secretaria de Obras Públicas (SOP) informou em nota que a área do Instituto de Educação (IE) General Flores da Cunha está inserida na matrícula relativa ao Parque Farroupilha e que, portanto, a calçada do IE é de responsabilidade da prefeitura de Porto Alegre. Cabe ao Estado, conforme a SOP, a conservação do que está localizado a partir dos muros da escola para dentro. No entanto, o governo se responsabilizará pela recomposição da calçada de pedras portuguesas situada na frente do prédio (calçada da Osvaldo Aranha).
O que diz a prefeitura
De acordo com a Secretaria de Serviços Urbanos (SMSURB), o município emitirá uma notificação ao governo do Estado, tendo em vista que resíduos não podem ser depositados fora das dependências da escola. A secretaria informa também que realizará uma vistoria no local nesta semana.