Com as baixas temperaturas registradas nas últimas semanas, a Prefeitura de Pelotas intensificou as abordagens para aquelas pessoas que vivem nas ruas da cidade, oferecendo um espaço para que possam passar a noite e com isto tenham melhor qualidade de vida. Nesta semana foram feitas 40 abordagens em regiões como Centro, Balsa, Avenida Bento Gonçalves e CohabPel. Apenas uma pessoa aceitou passar a noite na Casa de Passagem.
Aqueles que não acompanharam a equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social receberam um macacão impermeável para se proteger da chuva, água mineral e cobertores. Os abordados são 100% homens adultos; muitos deles, usuários de algum tipo de droga, incluindo álcool, e todos com os vínculos familiares desfeitos ou, no mínimo, abalados. Alguns revelam o desejo de se recuperar e voltar para junto da família. Outros têm a rua como casa.
O secretário de Assistência Social, Tiago Bündchen, que acompanhava a abordagem, avalia que, quando uma pessoa passa a viver nas ruas, é porque não existe nenhuma outra possibilidade ou, pelo menos, a pessoa envolvida acredita que não. Para ele, usar drogas pode ser a única maneira de suportar todo o sofrimento vivido diariamente, como frio, chuva, sensação de abandono, insegurança, culpa, fome e falta de perspectivas. “Quando o corpo está sob o efeito de drogas, as pessoas podem se sentir mais fortes, mais capazes, mais seguras, mesmo que, na prática, seja exatamente o contrário, eles estejam ainda mais vulneráveis”, observou
Bündchen diz que, apesar de raramente alguém aceitar ir para a Casa de Passagem durante as abordagens, a equipe continuará atuando para ganhar a confiança dessas pessoas e tentar ajudá-las de alguma forma, se elas permitirem. “Muitos não querem ir porque se saírem do seu local, outro o ocupará, e são lugares onde se sentem mais seguros por serem conhecidos e receber ajuda dos moradores e comerciantes, onde cuidam carros, recolhem materiais para reciclagem ou recebem comida, por exemplo”, diz o secretário.
No entanto, muitas outras pessoas já conhecem o serviço e se dirigem voluntariamente para a Casa de Passagem, onde recebem jantar, podem tomar banho e dormir em uma das 84 camas com travesseiro e cobertores. Na noite desta quarta-feira, 45 vagas estavam ocupadas. Antes de sair, na manhã seguinte, recebem café da manhã. Os cachorros que as acompanham também têm lugar garantido.
Além da Casa de Passagem, as pessoas em situação de rua têm alternativa de almoço no Restaurante Popular, onde são servidas 400 refeições diárias (200 a R$ 4 e outras 200 gratuitas), com encaminhamento da equipe do Centro Pop, localizado à rua Três de Maio, 1.070. O local oferece café da manhã, café da tarde, banho e conta com estrutura para lavar a roupa, para descansar e se proteger do frio. Os atendidos também são encaminhados para os serviços de saúde, para providenciar documentos, acessar benefícios e até mesmo para que sejam capacitados para o mercado de trabalho, sempre que há possibilidade. Os servidores também são capacitados e trabalham para ajudar os usuários a resgatarem os vínculos familiares e sociais.
Tanto as pessoas em situação de rua, quanto em qualquer situação de vulnerabilidade podem acessar a Rouparia, no prédio da Secretaria rua Marechal Deodoro, 404, onde ficam roupas, calçados e outras doações recebidas da comunidade. Para isso, é necessário ser encaminhado por um dos serviços de assistência social. Também são oferecidos cobertores a quem precisar.