Há meses, quem circula pela rua General Andrade Neves, quase esquina com a avenida Borges de Medeiros, no Centro Histórico de Porto Alegre, se depara com uma estrutura imponente, e da forma como está, inconveniente. Uma antiga banca de frutas, atividade comercial permitida na Capital, com a apresentação de alvará emitido pela Prefeitura, jaz em uma calçada desta movimentada esquina, prejudicando parte da passagem de pedestres.
Aquilo que era um comércio, hoje é apenas seu esqueleto. Bancas de frutas não são relativamente incomuns no Centro Histórico, e funcionam como alternativas aos pedestres que buscam opções naturais de alimentação. Duas delas chamam a atenção: uma na rua dos Andradas, na esquina com a João Manoel, e outra na Siqueira Campos com a Leonardo Truda.
Nesta última, há cinco anos atua o auxiliar José Hendler Selau, que como muitos trabalhadores locais, viu de perto o impacto das enchentes no negócio que ajuda a manter. “Muita coisa fechou por aqui, e esse foi o problema. Mesmo a Prefeitura foi lá para cima (na João Manoel). Então nosso forte de vendas é mesmo quem trabalha nos escritórios daqui, quem está passando e quem vai no (na unidade de saúde) Santa Marta”, comentou ele, que contou estar em Porto Alegre há mais de 40 anos.
“Não tem mistério nenhum. A gente trabalha para sobreviver. E ao contrário dos demais, eu vendo unidades individuais de frutas. Às vezes a pessoa só quer tomar um café da manhã mais saudável”, acrescentou ele, que é saudoso. “Antigamente, as pessoas vinham com aquelas bolsas enormes de náilon, mas hoje não se tem mais isso”. A maioria das bancas locais da área central da Capital depende do fornecimento do Ceasa, e seus proprietários, como centenas de outros, buscam lá frutas e legumes, cedo, para abastecer seus estoques.
Era o que provavelmente fazia também o proprietário da banca da Andrade Neves, antes de seu fechamento. Procurada, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Eventos (Smdete) confirmou a situação de abandono na banca e disse já ter feito quatro vistorias neste ano, além de ter encaminhado comunicação eletrônica sobre a irregularidade, mas não houve resposta do titular do alvará, que não foi localizado pela reportagem.
A Smdete afirmou que, “diante da caracterização do abandono da atividade e da interrupção injustificada do funcionamento", providenciará a cassação do alvará”, e notificará o empreendedor para remover a banca. Caso isto não seja feita, o município “adotará as providências cabíveis para a remoção da estrutura”.
Leia nota completa da Smdete
A Sala do Empreendedor, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Eventos de Porto Alegre, informa que foi constatada a situação de abandono da banca localizada na rua Andrade Neves. A fiscalização realizou vistorias nos dias 20/02, 24/02, 02/03 e 13/04, ocasiões em que foi verificada a ausência de funcionamento da banca, caracterizando a paralisação reiterada da atividade autorizada.
Também foi encaminhada comunicação eletrônica ao titular do alvará, cientificando-o da irregularidade, solicitando justificativa para a interrupção das atividades e a regularização do equipamento. No entanto, não houve resposta nem adoção de providências para a retomada da atividade.
Diante da caracterização do abandono da atividade e da interrupção injustificada do funcionamento, serão adotadas as providências para cassação do alvará da banca de hortifrutigranjeiros, conforme a Lei Complementar Municipal nº 12/1975, Código de Posturas, e a legislação municipal que disciplina as autorizações para utilização de áreas públicas e exercício do comércio ambulante. O empreendedor também será notificado para realizar a remoção da banca. Caso a retirada não seja feita, o Município adotará as providências cabíveis para a remoção da estrutura.
Sobre as demais bancas, a autorização para funcionamento ocorre por meio de alvará, conforme as normas municipais para uso de área pública e exercício da atividade.