Pescador por toda uma vida, assim se define Lauro Lopes da Silva, de 67 anos. O morador de Tavares decidiu por volta das 15h de domingo entrar na Lagoa dos Patos para colocar a rede de pesca, como faz de forma rotineira. "A cerração estava alta, mas quando terminei o trabalho no início da noite ela já tinha baixado. Como na nossa região tem muito pinho em volta da Lagoa, quando isto ocorre ela custa a sumir", relata.
Ele conta que quando se deu conta que não enxergava nada adiante não ficou nervoso, "Isto nunca tinha ocorrido comigo, mas fiquei tranquilo. Meu barco tem motor e eu tinha um telefone celular, que por volta da meia-noite descarregou. Eu acredito que estava há uns sete quilômetros da costa para os lados de Tapes", aposta. Ele garante que tinha confiança do que estava fazendo. "Pensei que se demorassem a me localizar o combustível poderia acabar, então remava um pouco e parava. Pelo que gastei de combustível acho que andei em torno de 100 quilômetros em uma noite à deriva indo em direção nordeste", conta.
Silva vestia um macacão com capa, então conta que, apesar do inverno, não sentiu frio. Ele confirmou que por volta das 9h de segunda-feira chegou no seco e saiu da Lagoa, já em Tavares. "Eu confio no meu conhecimento, por isto não tive medo de morrer, mas quando cheguei e vi prefeito, vice, pescadores, amigos, polícia, família, o povo que me ajudou a sair, neste momento fiquei nervoso", relata. O pescador confirma que a pressão arterial ficou alta e precisou ser levado de helicóptero dos bombeiros ao pronto atendimento. "Foi quando eu pensei em tudo que poderia ter acontecido. Para mim a vida continua, por isso sou grato, assim como aquelas pessoas que me ajudaram, que não vou citar para não esquecer ninguém, mas quero agradecer a todos", destaca.
Nesta terça-feira, o pescador estava em casa descansando com a família, mas acredita que deve voltar à Lagoa dos Patos ainda nesta semana, mas garante que aprendeu uma lição com o episódio. "Agora me preocupo em como está o tempo (meteorologia), por isso vou investir em um navegador antes de voltar para a pesca, para me ajudar a estar preparado para qualquer imprevisto climático como o que ocorreu", garante.